A montadora russa foi uma das primeiras estrangeiras a chegar ao Brasil com a liberação do mercado pelo ex-presidente Collor

AE
Jipes Niva desembarcam no Brasil: vendas de 15 mil unidades em um ano e passagem meteórica

As montadoras chinesas que chegaram ao Brasil recentemente estão aproveitando uma mudança no mercado automotivo nacional que teve início há 20 anos. No dia 09 de maio de 1990, o então presidente Fernando Collor de Mello assinou uma medida provisória que abria o Brasil para a importação de veículos – o que, na prática, representava um ponto final em 14 anos de reserva de mercado.

Uma das primeiras marcas estrangeiras a tirar proveito da nova Lei foi a Lada, fabricada na Rússia pela AvtoVaz. Importada pelo empresário panamenho-americano Martin Rodin, a montadora de jipes e carros com linhas e tecnologia antiquadas tinha planos audaciosos: vender cerca de 50 mil unidades por ano – o que representava 6,5% do mercado nacional. Os primeiros anos foram de sucesso, mas logo as vendas começaram a cair e a Lada deixou o Brasil sete anos depois.

Apesar da passagem rápida, os modelos da Lada representaram uma nova era no mercado brasileiro. As vendas do jipe Niva e do hacthback Samara começaram em novembro daquele ano. A versão sedã do Samara e a picape Laika chegaram em seguida. Apesar do projeto da década de 1960, os carros eram uma grande novidade e, principalmente, custavam o mesmo que um Gol. A combinação fez as vendas dos carros disparar. No primeiro ano no mercado, foram faturados 15 mil Ladas.

No auge do sucesso, a rede de concessionárias chegou a ter 126 lojas no Brasil. Mas problemas dos carros (diziam que o painel dos modelos derretia com o calor brasileiro e que eles eram muito desconfortáveis) fizeram com que as vendas freassem bruscamente. No ano seguinte, elas despencaram 66% -- e só piorariam nos anos seguintes, o que culminaria com a saída da montadora do País.

" Carroças "

A Lada é uma montadora de muito sucesso na Rússia. Criada em 1960 em parceria com a Fiat, a empresa produz um milhão de carros ao ano. Em agosto, atingiu a marca de 26 milhões de unidades fabricadas, o que lhe garante cerca de 20% do mercado russo. Parece muito, mas não é. Há 10 anos, a Lada era responsável por sete entre os 10 carros vendidos no país. No auge da fabricante, seus modelos chegaram a vendidos em vários países do Ocidente, como Inglaterra, Canadá e França – mas nunca nos Estados Unidos. O motivo? O sentimento anti-soviético que teve início com a Guerra Fria. De tempos em tempos, surgem notícias de que a montadoras estaria prestes a voltar ao Brasil. Até o tradicional grupo Caoa, representante da Hyundai no Brasil, já teve o nome ligado aos russos.

Quando vai comprar um carro novo, o brasileiro tem um leque de opções que inclui mais de 300 modelos – desde os populares até os de alto luxo. Nem sempre foi assim. Durante a segunda metade dos anos 1970 e início dos anos 1980, o mercado de automóveis brasileiro era abastecido exclusivamente por montadoras instaladas no País, como a Autolatina (uma parceria entre a Volkswagen e a Ford), a GM e a Fiat. A qualidade era tão ruim e os modelos tinham uma tecnologia tão atrasada que os veículos foram chamados de “carroças” por Collor.

Quando o mercado brasileiro se abriu para o exterior, a alíquota de importação era de 85%. Isso fez com que, além dos Ladas, os primeiros carros importados fossem modelos de luxo. Um Alfa Romeo 164 era vendido no País por US$ 135 mil, quase três vezes mais do que o carro mais caro do Brasil, o Escort XR3.

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