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Grandes farmas japonesas chegam ao Brasil

Disposta a não ficar para trás na competição com suas rivais, a Takeda, maior laboratório do Japão, desembarca no País.

André Vieira, iG São Paulo |

A Takeda Farmacêutica Brasil Ltda, razão social pela qual a maior fabricante de medicamentos do Japão vai operar no País, foi aberta em janeiro.

A operação ainda é embrionária. Não foram escolhidos ainda os diretores da empresa, que pretende importar e comercializar sua linha de produtos, que é conhecida por inovações nas áreas cardiovascular, gastroenterologia e oncologia.

O escritório de advocacia L.O. Baptista está assessorando a Takeda no Brasil, segundo apurou o iG. Seizo Masuda, porta-voz da Takeda no Japão, disse que é cedo para falar sobre a operação que ainda está em estágio preparatório. 

A Takeda, cuja fundação ocorreu há mais de 200 anos, é uma das últimas das grandes multinacionais do setor farmacêutico a chegar ao Brasil, sinalizando o forte apetite pela indústria mundial no crescente mercado emergente. 

Pé no Brasil

Só uma das 20 maiores farmacêuticas globais não atua diretamente no Brasil (vendas em US$ bilhões/2008)

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Das 20 maiores companhias farmacêuticas em faturamento no mundo, segundo dados de 2008, apenas a americana Amgen não está presente diretamente no Brasil – ela produz medicamentos que são revendidos pela brasileira Mantecorp, da família Mantegazza.

As demais multinacionais atuam com fábricas próprias ou com equipes de venda, importando remédios de suas matrizes.

Por décadas, as grandes empresas farmacêuticas do Japão ignoraram o Brasil. A única exceção era a Daiichi Sankyo, a terceira maior do Japão que chegou ao País em 1997 porque havia adquirido as operações globais da alemã Luitpold. A empresa é conhecida pela pomada contra inflamação e vermelhidão de pele Hirudoid, mas seu carro chefe é o antihipertensivo Benicar.

Segundo maior mercado do mundo

Na visão de especialistas, havia uma razão para que as grandes farmas japonesas não priorizassem o Brasil. Além da óbvia distância e das questões regulatórias, o mercado japonês é o segundo maior do mundo, atrás apenas do mercado dos EUA, movimentando cerca de US$ 70 bilhões por ano – mais de seis vezes o faturamento da indústria farmacêutica brasileira.

No entanto, com a perspectiva de crescimento de mais de 8% ao ano até 2013, segundo informou a Takeda no fim de 2009, o Brasil ganhou mais relevância no mercado mundial – além de combinar com a estratégia de internacionalização da companhia. A filial brasileira é a 12ª a ser criada em dois anos.

Além disso, o ingresso das demais concorrentes japonesas parece ter despertado o interesse da Takeda. Em meados de 2009, a Astellas, a segunda maior farmacêutica do Japão, abriu seu escritório no Brasil - era o último dos países do Bric (que inclui Rússia, China e Índia) que a Astellas não operava.

A Astellas colocará seus produtos com sua marca em breve. A companhia resgatou a licença do Omnic, remédio contra o aumento do volume de próstata, que estava com o laboratório brasileiro Eurofarma, e deverá relançar o produto neste semestre. O outro é o Protopic, um medicamento indicado a tratamentos na área dermatológica, que estava licenciado à Roche.

Divulgação
Devaney Baccarin, presidente da Astellas no Brasil: broche do Japão e estudos do idioma
A empresa montou uma equipe de 60 pessoas e deve abrir mais vagas para fortalecer sua força de vendas. Para comandar a operação, escalou um brasileiro.

“Temos alguns descendentes de japoneses na operação brasileira, mas a escolha de um brasileiro, ao contrário de outras empresas japonesas, está relacionada ao conhecimento dos assuntos regulatórios e das especificidades da legislação local”, diz o presidente da subsidiária brasileira, Devaney Baccarin, com passagens pelas empresas americanas Eli Lilly e Genzyme. “Mas penso até em estudar japonês”.

Mesmo a Daiichi Sankyo, única fabricante japonesas que produz medicamentos no Brasil, finaliza a ampliação da fábrica em Alphaville, no município de Barueri (SP). A filial brasileira é presidida por Elói Bósio, recentemente eleito presidente do conselho-diretor da Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa), a entidade que reúne as multinacionais farmacêuticas no Brasil

A Eisai optou por entrar de outra forma no Brasil. Em setembro, a filial da quarta maior farmacêutica do Japão fechou parceria com a DNDi, uma organização ligada ao desenvolvimento de tratamentos contra doenças negligenciadas por grandes farmacêuticas. A entidade, criada entre outras pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ligada ao Ministério da Saúde, estudará um medicamento contra a doença de Chagas.
 

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