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GM se rende ao carro compacto para ganhar dinheiro nos EUA

Montadora fechou acordo de redução de salário com sindicato; veículos de menor porte têm longo histórico de prejuízos no país

The New York Times |

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Trabalhadores da unidade Orion, da GM, que aceitaram reduzir seus salários para fabricar carros compactos
A General Motors está tentando fazer o que nenhuma outra montadora fez antes: ganhar dinheiro com um carro compacto de baixo custo fabricado nos Estados Unidos com mão de obra barata, mas de trabalhadores sindicalizados.

A União dos Trabalhadores da Indústria Automobilística (UAW, na sigla em inglês), sindicato que representa os trabalhadores do setor e também de outras indústrias, como a de aeronaves, aceitou um acordo incomum, mas que pode tornar a meta alcançável na fábrica da GM de Orion Township, no Estado norte-americano de Michigan. Os salários de centenas de trabalhadores serão reduzidos significativamente.

Por meio do acordo para a redução de custos, a GM pagará 60% do salário - de US$ 28 por hora - para 1.550 trabalhadores da fábrica, e aos demais trabalhadores, metade do total – ou US$ 14 por hora. Além de o sindicato ter concordado em reduzir os salários de novas contratações, alguns dos trabalhadores de uma segunda leva da fábrica de Orion devem ser chamados de volta ao trabalho após terem sido demitidos.

A unidade, que já fez sedãs de médio porte, será convertida em uma planta para a fabricação de um modelo Chevrolet compacto, que será o foco da estratégia da GM de trazer carros menores e mais eficientes em consumo de combustível para os consumidores americanos. O pacto com o sindicato tem o objetivo de reduzir os custos trabalhistas o suficiente para competir com carros populares feitos no México e em outros países que têm média salarial menor que a dos EUA.

"Este é o lugar onde queremos começar a fazer carros pequenos nos Estados Unidos para ter lucro", disse na quinta-feira Mark L. Reuss, chefe de operações da GM norte-americana, em uma cerimônia na fábrica.

Carros que chegam do exterior

O compacto anterior da GM, o Aveo, era importado da Coreia do Sul. A empresa provavelmente vai mudar o nome da nova versão para simbolizar o início da fabricação da categoria nos Estados Unidos.

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Trabalhadores da fábrica da GM em Orion aguardam o anúncio formal do acordo de redução de salários
Analistas do setor disseram que as montadoras de Detroit sempre trouxeram seus carros econômicos de outros países, onde os salários são baixos, para que pudessem ter um preço competitivo. O Fiesta, compacto da Ford vendido nos EUA, por exemplo, é fabricado no México. A Chrysler e sua parceira Fiat também estão planejando a fabricar o Fiat 500 no México. Companhias japonesas também importaram seus automóveis compactos, como o Honda Fit e o Toyota Yaris, de fora dos Estados Unidos.

"O menor modelo que a Honda constrói aqui é o Civic, então isso significa desbravar novos caminhos", disse Joseph Phillippi, da empresa Auto Trends Consulting, em Short Hills, no Estado de New Jersey. "Para a GM, conseguir apenas empatar com os compactos da concorrência já seria uma realização."

Reuss disse na quinta-feira que a GM está confiante de que seu carros menores podem ser um negócio lucrativo no país. O investimento total da montadora em seus programas de veículos carros pequenos nos Estados Unidos é mais de US $ 1 bilhão, segundo ele.

O sistema de produção flexível na unidade de Orion também pode acomodar modelos adicionais. A GM disse na última quinta-feira que vai investir US$ 145 milhões na fábrica e também adicionar um segundo carro, um pouco maior, a Verano Buick, à linha de produção da unidade. "O investimento no complexo de Orion amplia a presença da GM no mercado local de carros compactos e aumenta o número de modelos disponíveis em nosso showroom", disse Reuss.

Dirigentes do sindicato disseram que o acordo que permite a salários mais baixos, formalmente aprovado pela entidade no domingo, ressalta a importância de manter os empregos auto no país, mesmo com metade do dinheiro.

"Decisões difíceis"

Garry Bernath, diretor-assistente do sindicato, afirmou que as quebras de GM e Chrysler, no ano passado, forçaram a entidade a tomar "decisões difíceis" para preservar os empregos. "Durante a crise, o sindicato desenvolveu uma nova compreensão da realidade na indústria automobilística global do século 21", disse ele.

A GM tem reduzido seus custos trabalhistas globalmente de forma significativa desde que, auxiliada pelo governo dos EUA, emergiu da falência. Entre as principais medidas está a transferência dos custos de cuidados médicos de aposentados para um fundo recém-criado.

Um trabalhador da montadora ganhava, em média, US$ 70 por hora, em salários e benefícios, antes da falência. Agora, a média é de aproximadamente US $ 57, segundo um estudo do Centro para Pesquisa Automotiva, em Ann Arbor, Michigan. Para efeito de comparação, os custos trabalhistas nos EUA para a Toyota - cujos trabalhadores não estão filiados a sindicatos - são de cerca de US$ 50 por hora.

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Mark Reuss­, da GM (centro), ao lado da governadora de Michigan, Jenni­fer Granh­olm, anuncia formalmente o acordo com o sindicato

Reduzir em 40% os salários dos trabalhadores da fábrica de Orion reduzirá os custos da GM ainda mais. "A GM tem cortado o custo de fabricação de um carro em cerca de US$ 4 mil desde a falência", disse David Cole, presidente emérito do Centro de Pesquisa Automotiva. "Com o carro compacto, ela precisava de mais, e o sindicato entendeu que o emprego iria para outro lugar se os salários não fossem reduzidos".

A planta, que fica a cerca de 50 quilômetros ao norte de Detroit, será reaberta em 2011. O pessoal da fábrica será composto por 1,1 mil trabalhadores demitidos quando ela interrompeu a produção de carros de porte médio, no ano passado; novos contratados constituirão o restante da equipe. Cerca de 930 trabalhadores vão receber o salário integral, e o restante vai ter o salário mais baixo.

Concordar com a estrutura salarial de dois níveis foi um "passo em direção a um futuro mais seguro" para o sindicato, disse Harley Shaiken, professor da Universidade da Califórnia. "O sindicato deixou muito claro que está disposto ao sacrifício para garantir a recuperação", disse Shaiken. "Mas eles querem compartilhar os ganhos dessa recuperação".

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