Resultado foi favorecido base de comparação fraca e aumento de vendas no mercado interno e na América do Norte

A maior fabricante de aços longos das Américas, Gerdau, divulgou nesta quinta-feira sensível melhora no lucro do primeiro trimestre em relação ao obtido um ano antes, favorecida por uma base de comparação fraca e aumento de vendas no mercado interno e América do Norte.

A companhia registrou lucro líquido de R$ 573 milhões nos três primeiros meses de 2010, após resultado positivo de R$ 35 milhões um ano antes, que foi fortemente impactado pela queda na demanda por aço após a crise financeira internacional.

Analistas consultados pela Reuters estimavam, em média, lucro líquido de R$ 554 milhões no primeiro trimestre, com as previsões variando de R$ 458 milhões a R$ 731,7 milhões.

A alta do lucro da empresa teria sido maior, não fosse a valorização do dólar sobre o real, que fez o resultado positivo da operação brasileira, sem considerar aços especiais, cair 29% sobre o primeiro trimestre de 2009, para R$ 337 milhões. Se no início do ano passado essa variação cambial gerou ganho de R$ 160 milhões para a operação, este ano houve perda de R$ 76 milhões.

A apreciação da moeda norte-americana no início de 2010 também afetou a comparação com o quarto trimestre, gerando queda de 27% no lucro líquido da operação brasileira.

A produção da companhia disparou 71% nos três primeiros meses do ano em relação ao mesmo período de 2009, para 1,68 milhão de toneladas de aço bruto. O desempenho foi puxado por desempenhos expressivos no Brasil, América do Norte e da área de aços especiais, uma das mais afetadas pela crise.

No Brasil, a produção da Gerdau, primeira grande siderúrgica do país a divulgar resultado de primeiro trimestre, a produção quase dobrou, saindo de 879 mil toneladas em 2009 para 1,68 milhão nos três primeiros meses de 2010.

A América do Norte viu um aumento de 52%, para 1,59 milhão de toneladas, enquanto aços especiais, que produz aço para o setor de veículos por exemplo, disparou 148%, a 771 mil toneladas.

O desempenho da produção de aço bruto da América do Norte foi inclusive 37% maior na comparação com o quarto trimestre, sinalizando melhora no fraco mercado norte-americano. Quanto a Brasil, a produção teve leve aumento de 1% nesta comparação, enquanto aços especiais apresentou incremento de 16%. O ponto negativo foi para a divisão América Latina, que apresentou queda de 10% sobre os três últimos meses de 2009.

Vendas em alta

Em vendas, a Gerdau também teve forte desempenho, exibindo crescimento de 32% na comparação anual, para 4,053 milhões de toneladas.

Brasil vendeu 40% mais ou 1,53 milhão de toneladas e as vendas para o mercado interno dispararam 60% apesar do câmbio, para 1,15 milhão de toneladas. As exportações, por sua vez, subiram 1%, para 378 mil toneladas.

Apesar da sensível alta nos volumes vendidos, a receita líquida da companhia, de R$ 7,1 bilhões, encerrou o primeiro trimestre com uma alta de ligeiros 2% na frente o início de 2009. Esse resultado foi afetado "parcialmente por redução de 23% na receita líquida por tonelada, resultante, principalmente, da valorização de 22% do real frente ao dólar no período e por variações no mix de produtos vendidos", afirma a Gerdau no balanço. Frente ao quarto trimestre, a receita líquida cresceu 12%.

A média de previsões de seis analistas consultados pela Reuters era de faturamento de R$ 7,33 bilhões.

A geração de caixa medida pelo Ebitda mais que dobrou, de R$ 599 milhões para R$ 1,4 bilhão enquanto a margem passou de 9 para 20%.

A melhora da margem foi apoiada com esforço de corte de custos ao longo de 2009, que produziu como resultado uma queda de 8% nos custos com vendas no primeiro trimestre. Com isso, a participação das despesas com vendas, gerais e administrativas em relação à receita líquida caiu de 9 para 7%.

A empresa mantém plano de investimentos de R$ 9,5 bilhões entre 2010 e 2014, sendo o principal deles já aprovado um laminador de chapas grossas com capacidade para 1 milhão de toneladas com início previsto para 2012.

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