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Em alto-mar, Tupi é o foco da Petrobras

Estatal realiza o máximo atividades de busca de óleo para não perder direito sobre parcela do bloco de exploração

Sabrina Lorenzi, enviada especial a Tupi/Bacia de Santos |

Quando o helicóptero a caminho de Tupi se aproxima do destino, a paisagem muda. Sondas de perfuração, não vistas antes no percurso de quase 300 quilômetros, começam a surgir em meio ao legítimo azul marinho do oceano.

Quatro das cinco plataformas que perfuram hoje o pré-sal da Bacia de Santos estão no bloco BM-S-11, área que originou os campos de Tupi e Iara. Até outubro, outras cinco a dez sondas vão ser deslocadas ao bloco até outubro.

A estatal está perfurando nas regiões Nordeste e Oeste de Tupi. Também há poços sendo abertos no local escolhido para sediar o projeto piloto de produção da área, a poucos quilômetros da plataforma Cidade de São Vicente, responsável pelos testes de longa duração (TLD), em Tupi.

Tamanho esforço exploratório da Petrobras permitirá que a produção do campo de Tupi alcance a meta mais rapidamente. Em vez de estacionar por meses numa extração de 20 mil barris diários de petróleo como tradicionalmente ocorre, Tupi poderá alcançar em pouco tempo a marca de 100 mil barris diários.

Para produzir o volume desejado, a Petrobras tem de perfurar o maior número possível de poços no campo, disse ao iG o diretor de exploração e produção da Petrobras, Guilherme Estrella. Se tudo der certo, Tupi produzirá o volume estimado no mesmo mês em que iniciar a produção, em outubro. Para manter a concessão, as empresas petrolíferas têm de provar a existência de óleo no local e cumprir os planos de exploração firmados com a Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Além de maximizar a produção, a concentração de sondas em Tupi dá segurança à Petrobras para ficar com toda a área escolhida no plano de avaliação entregue à ANP. Para produzir, a estatal terá antes de fazer a declaração de comercialidade do campo. E, para isso, a empresa deve mostrar à reguladora que cumpriu o cronograma exploratório acertado, com a perfuração de poços e estudos de sísmica, entre outras atividades obrigatórias.

O prazo da Petrobras para encerrar as atividades exploratórias no bloco de Tupi vence em dezembro. Quanto mais poços e descobertas a estatal realizar, maior será a chance de ficar com a área toda, sem precisar devolver partes à União.

Apesar da grande movimentação no bloco de Tupi, o gerente-executivo de exploração da Petrobras, Mário Carminatti, afirma que a estatal não precisa correr para cumprir o prazo da agência reguladora. Segundo Carminatti, a Petrobras está trabalhando para ficar com o máximo que puder da concessão, na estratégia definida pela companhia.

Estrella, por sua vez, afirmou que aumentar a produção de Tupi é a principal razão para o envio de tantas sondas para um só bloco. O campo possui de 5 bilhões a 8 bilhões de barris, conforme estimativas da companhia.

Outra sonda está localizada ao norte de Guará, campo do pré-sal oriundo do bloco BM-S-9. Para este bloco, que também originou o campo de Carioca, o prazo para concluir perfurações começa em 2011 e termina em 2012, dependendo do campo. Para perfurar novos poços em Júpiter, no BM-S-24, a Petrobras tem até 2015. Diante deste cronograma, a empresa tende a priorizar áreas com prazos mais curtos na hora de escolher o destino das sondas.

O diretor da ANP Nelson Narciso explica que, antes de apresentar a declaração de comercialidade dos campos de petróleo, as empresas devem mostrar que cumpriram os planos de avaliação, que são os compromissos firmados junto à agência. Depois de informar a quantidade de petróleo recuperável da área, a concessionária passa da fase exploratória para a etapa de desenvolvimento e produção do campo. O estabelecimento de prazos é praxe na indústria mundial de petróleo e protege a União de conceder áreas sem o devido retorno dos investidores.
 

De Tupi para Lula?

Selmy Yassuda
Paulo Buschinelli, gerente da Petrobras: óleo do pré-sal
É neste momento de transição da fase exploratória para o desenvolvimento da produção que o nome do bloco pode mudar. Nos bastidores da estatal, comenta-se que Tupi poderá ser renomeado de Lula, em alusão não só ao presidente da República como também ao molusco.

“A Petrobras costuma dar nome de seres do mar aos campos”, afirma o gerente do TLD de Tupi, Paulo Buschinelli. O executivo, entretanto, afirma que não sabe qual será o nome escolhido. “Não sou eu quem decide.”

De volta à União

A Petrobras já devolveu à União 50% dos blocos que originaram os campos de Tupi, Iara, Guará, Carioca, Iguassu, Bem-te-vi e Parati. A estatal escolheu e ficou com a metade mais importante de cada um dos blocos BM-S-8, BM-S-9, BM-S-10 e BM-S-11, quando entregou os planos de avaliação à reguladora, nos últimos anos.

 Os blocos do pré-sal leiloados foram os maiores já concedidos à iniciativa privada e à Petrobras, com mais de cinco mil quilômetros quadrados. Na visão de especialistas, seria praticamente impossível explorar as áreas na íntegra por falta de tempo hábil mesmo que a legislação permitisse.

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