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Custo do carvão metalúrgico preocupa siderúrgicas

Insumo pode dobrar de preço na próxima negociação entre empresas de aço e mineradoras, que agora propõem reajustes trimestrais

André Vieira, iG São Paulo |

Se as siderúrgicas brasileiras já ficaram preocupadas com o aumento nos preços do minério de ferro, agora há uma nova razão para que a dose de preocupação se eleve. O carvão metalúrgico, um insumo usado nos altos-fornos, pode dobrar de preço na próxima negociação entre as mineradoras e as empresas de aço.

Divulgação
Carvão metalúrgico pode representar até 25% do custo do aço acabado, segundo especialistas
Além disso, assim como no caso do minério de ferro, as grandes mineradoras estão propondo a mudança na fórmula de reajuste: em vez de contratos anuais, reajustes trimestrais nos preços.

"Se a mudança de reajuste trimestral para o minério de ferro for bem sucedida, as mineradoras vão tentar emplacar o reajuste trimestral no carvão metalúrgico", afirmou ao iG o diretor financeiro da Usiminas, Ronald Seckelmann. "As mineradoras estão quietas, mas as conversas nos bastidores estão intensas."

O carvão metalúrgico é um negócio que reúne mineradoras como a anglo-australiana BHP Billiton, a australiana Rio Tinto, a anglo-sulafricana Anglo American e a Xstrata, com sede na Suíça, entre outras. A brasileira Vale não vende carvão metalúrgico.

Os contratos para o insumo vencem em junho. Em 2009, os acordos fechados entre as mineradoras e as siderúrgicas, sob influência da brutal queda das commodities depois da crise mundial, chegaram ao fundo do poço, atingindo cerca de US$ 120 por tonelada.

No mercado à vista, o carvão tem sido vendido a US$ 240 por tonelada - abaixo, contudo, do valor antes da eclosão da crise, por volta de US$ 300 por tonelada. Para piorar, na semana passada, o preço subiu mais de 20% por causa da explosão de uma mina na região leste dos EUA.

Compra antecipada tem entraves

As siderúrgicas têm tentado antecipar a compra do insumo, mas dificuldades de logística e armazenamento impedem o acúmulo de grandes reservas.

O diretor financeiro da Usiminas, principal produtora brasileira de aços planos, lembra que um eventual aumento de preços poderá implicar em uma elevação grande nos custos das siderúrgicas brasileiras. "O Brasil importa 100% do carvão metalúrgico", diz Seckelmann.

Ao contrário do minério de ferro - neste caso, ao explorarem a própria matéria-prima, as siderúrgicas buscam depender menos das mineradoras -, o carvão metalúrgico é importado da Austrália, Canadá, EUA e África do Sul.

Segundo Seckelmann, a Usiminas estuda o uso de fornecedores alternativos para o carvão metalúrgico. "Estamos pesquisando o carvão da Colômbia." 

Especialistas dizem que o insumo pode representar até um quarto do custo do aço acabado, usado também nas aciarias. O Brasil importa cerca de 14 milhões de toneladas todo o ano.

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