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Os deságios dos últimos leilões de transmissão de energia realizados pelo governo federal reduziram de maneira expressiva o retorno dos novos projetos do setor

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Os deságios dos últimos leilões de transmissão de energia realizados pelo governo federal reduziram de maneira expressiva o retorno dos novos projetos do setor. Essa é a conclusão do diretor-presidente da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP), César Ramírez, que afirmou que a empresa não irá abandonar a posição conservadora de investimento para apenas ganhar participação de mercado. "Se considerarmos os deságios, os retornos estão baixos. Para nós, não dá. É possível que dê para os outros, mas, para nós, não", afirmou o executivo, que participou hoje de evento sobre a integração energética entre Brasil e Colômbia na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista. Apesar do cenário adverso, Ramirez ressaltou que a companhia manterá a sua disciplina financeira com vistas a evitar a realização de investimentos com baixo retorno. "Vamos manter a disciplina, até porque é uma obrigação que temos como gestores dos recursos dos acionistas", disse o executivo. Nos leilões de transmissão realizados este ano pelo governo federal, a CTEEP não conquistou nenhum ativo e ainda viu a estatal paranaense Copel ingressar no mercado de transmissão em São Paulo com propostas agressivas. O executivo ponderou que a queda nas taxas de retorno dos projetos também está ligada a estratégias específicas dos investidores. "Quando olhamos o resultado do leilão, é preciso verificar quais são os outros interesses dos investidores. É possível que um investidor tenha um interesse estratégico, o que é precificado, e permite que faça um deságio maior do que outro concorrente", explicou. No caso da Copel, os executivos da estatal deixaram claro após o leilão que a companhia considerava estratégica a expansão de suas atividades fora do Paraná. "Essa é uma estratégia, e temos que respeitar. Não podemos dizer se isso é bom ou ruim. Mas para nós, não era possível", reforçou o executivo. Ramírez destacou que a rentabilidade dos ativos no mercado secundário também está baixa, sobretudo após a chinesa State Grid ter adquirido sete linhas de transmissão da espanhola Plena Transmissora por R$ 3,1 bilhões em maio deste ano. "No mercado secundário, as taxas também estão baixas", comentou. O executivo destacou, contudo, que a CTEEP mantém os planos de disputar os leilões de transmissão que o governo federal pretende realizar nos próximos meses. "Somos um jogador de longo prazo. A nossa obrigação é avaliar as oportunidades", afirmou. A próxima licitação está marcada para novembro deste ano. Ramírez disse que a empresa aguarda a publicação do edital da disputa pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para tomar a decisão de participar do certame.

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