CSN vê espaço para altas de preço de aço no mercado interno

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - A Companhia Siderúrgica Nacional vê com otimismo o mercado brasileiro de aço no segundo semestre, com oportunidades de "realinhamento" de preços em alguns segmentos de maior valor agregado.

Isso pode ajudar a empresa até a elevar sua margem de lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda, em inglês), que ficou em 46 por cento no segundo trimestre.

"Temos concentrado nossos esforços no mercado interno... Pode ser que ocorra um ajuste de preços e a tendência de margem é ficar onde está ou até melhorar um pouco no terceiro trimestre", afirmou o vice-presidente financeiro da CSN, Paulo Penido, em teleconferência com analistas nesta quarta-feira.

Na véspera, a CSN divulgou lucro de abril a junho acima do esperado, a 894 milhões de reais.

A CSN elevou seus preços no segundo trimestre em 10 por cento no caso de laminados a quente e a frio e em 12 por cento em produtos zincados, disse o diretor comercial da companhia, Luis Fernando Martinez. Cerca de metade desses reajustes já foi capturada no resultado do segundo trimestre e a expectativa é que o restante seja visto no balanço do atual trimestre.

"Existe ainda alguma possível defasagem em algumas cadeias de valor, e por isso estamos trabalhando pontualmente, cliente a cliente, setor a setor, agora no terceiro trimestre", disse Martinez.

Às 12h56, as ações da CSN recuavam 3,44 por cento, para 29,18 reais, em meio a uma baixa generalizada da bolsa paulista. O Ibovespa mostrava perda de 1,9 por cento.

Para o JP Morgan, o cenário traçado pela CSN para o mercado brasileiro de aço, apesar de positivo, é marcado por altos níveis de estoques na cadeia distribuidora. "Os desafios persistem na forma de fluxo recorde de importações (de aço), que acreditamos que deverá tornar difícil a implementação de qualquer aumento de preços no segundo semestre", afirmou a corretora em relatório.

Martinez disse que para fazer frente às importações de aço, que no primeiro semestre dispararam 148 por cento em relação ao mesmo período de 2009, segundo dados do Instituto Aço Brasil (IABr), a CSN tem como estratégia oferta de produtos com um conjunto de valor maior.

"Mercado não compra preço, compra valor. Se nos setores industriais a gente já resistiu até agora a esse maremoto de importação, não é agora que vamos sucumbir. Pelo contrário, daqui para o final do ano as cadeias vão ficar muito mais apertadas e mais interessadas em receber produtos de maior valor agregado e com entregas parceladas", disse Martinez.

Atualmente, a CSN trabalha com um nível de preços, no caso de bobinas a quente, 24 a 28 por cento maior que valores internacionais. A diferença é ainda maior nos produtos galvanizados.

Em 20 de julho, a Usiminas, que compete com a CSN em aços para o setor automotivo, anunciou aumentos de preços de até 6 por cento a partir de 1o de agosto, após reajustes de 35 por cento no minério de ferro e de 75 por cento no carvão no início do mês passado.

CASA DE PEDRA

A aguardada oferta inicial de ações (IPO, em inglês) da unidade mineração da CSN continua em discussão entre a empresa e os sete sócios asiáticos da unidade produtora de minério de ferro Namisa.

O interesse da CSN é conseguir aceitação dos sócios para fundir a Namisa com a mina Casa de Pedra, conseguindo assim um valor maior para a oferta de ações. A expectativa era que a operação ocorresse ainda no primeiro semestre.

"A velocidade da negociação é lenta, mas tem evoluído muito bem, não parou. É um processo que vai demorar um pouco, estamos otimistas que essa negociação (com sócios) chegará a um bom termo. É um processo que demora um pouco, mas isso vai acontecer", disse o diretor financeiro da CSN, evitando prever quando um acordo poderá ser alcançado.

Perguntado sobre a possibilidade de compra de ativos, Penido reforçou que a posição de caixa da CSN, de pouco menos de 10 bilhões de reais no final de junho, é "bastante confortável, o que dá tranquilidade para um eventual movimento de fusão e aquisição".

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