Inaugurado nesta sexta-feira, o complexo siderúrgico de US$ 8,2 bilhões prevê fornecimento de minério à alemã ThyssenKrupp

Com investimento de US$ 8,2 bilhões – considerado o maior do setor privado nos últimos 15 anos no País - a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) está sendo inaugurada nesta sexta-feira após gerar 30 mil empregos durante as obras. Outros 3,5 mil postos de trabalho permanentes manterão a usina em operação. Além dos trabalhadores, tem motivos para comemorar a Vale, sócia do empreendimento com participação de 26,87% do investimento: o contrato com a acionista majoritária da CSA, a alemã ThyssenKrupp, abre novas portas do mercado europeu de minério de ferro para a mineradora.

“Somos fornecedores de 100% do minério de ferro que será consumido pela CSA, num total de 8,5 milhões de toneladas por ano, e assinamos um acordo para fornecer até 80% do consumo de minério de ferro da ThyssenKrupp Europa”, revela o diretor de Siderurgia da Vale, Aristides Corbellini.

Segundo ele, o volume de minério fornecido aos europeus por este contrato tem potencial para variar de 15 milhões de toneladas a 17 milhões de toneladas, a depender do uso da capacidade produtiva das siderúrgicas da Thyssen. O volume estimado eleva em cerca de 46% o fornecimento de minério à Europa, considerando as expotações do ano passado. A Vale forneceu no ano passado cerca de 34 milhões de toneladas ao continente.

A CSA é dividida em duas linhas de produção, cada uma com capacidade instalada de 2,5 milhões de toneladas de placas de aço anuais.
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A CSA é dividida em duas linhas de produção, cada uma com capacidade instalada de 2,5 milhões de toneladas de placas de aço anuais.
O fornecimento de minério à Thyssen estimulou a Vale a investir no projeto da CSA, que inicialmente previa participação bem menor da mineradora. As duas planejaram inicialmente que a Vale teria 10% do empreendimento e a Thyssen, 90%. Com a crise europeia, a companhia alemã precisou recorrer à sócia brasileira para viabilizar a construção da siderúrgica, levando a Vale a aumentar sua fatia. Segundo o executivo, o aumento do investimento da mineradora foi fundamental para manter a continuidade do projeto. A ThyssenKrupp maior produtor de aço da Alemanha e um dos maiores do mundo, participa do empreendimento com 73,13% do total dos recursos.

Localizada no município de Santa Cruz, Zona Oeste do Rio de Janeiro, a usina tem capacidade de produção anual de 5 milhões de toneladas de placas de aço em projeto que engloba porto, coqueria e térmica. O complexo siderúrgico da ThyssenKrupp CSA está dividido em duas linhas de produção, cada uma com capacidade instalada de 2,5 milhões de toneladas de placas de aço anuais. Nesta sexta-feira será dada a largada nas operações da primeira linha. A segunda linha deverá iniciar produção no primeiro semestre de 2011.

De acordo com a assessoria de imprensa da CSA, de 60% a 70% dos bens e serviços necessários à construção da usinas foram adquiridos de fornecedores locais – num elevado índice de nacionalização da usina. O complexo siderúrgico da ThyssenKrupp CSA está dividido em duas linhas de produção, cada uma com capacidade instalada de 2,5 milhões de toneladas de placas de aço anuais. Nesta sexta-feira será dada a largada nas operações da primeira linha, em cerimônia que contará com a presença do presidente Lula. A segunda linha deverá iniciar produção no primeiro semestre de 2011.

O conteúdo nacional da usina é de 60% a 70% dos bens e serviços usados no empreendimento.
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O conteúdo nacional da usina é de 60% a 70% dos bens e serviços usados no empreendimento.
A área de construção da usina se estende por 9 quilômetros quadrados e causou reação de ambientalistas por conta do impacto ambiental na região e seus efeitos sobre a qualidade do ar. Mas a empresa responde, por meio de nota ao iG, que, “além do cumprimento de mecanismos de compensação obrigatórios, a empresa realiza projetos voluntários na área ambiental, como, por exemplo, a redução de emissões que totalizam 1,7 milhão de toneladas anuais de CO2”. Do total de redução de gás carbônico, segundo a CSA, 1,1 milhão de toneladas anuais correspondem a troca de matéria-prima na produção de cimento dentro do complexo siderúrgico.

“Outras 660 mil toneladas anuais de CO2 deixarão de ser emitidas com três projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, de utilização dos gases gerados na fabricação do aço para geração de energia na usina termelétrica da CSA”, completa a empresa.


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