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Cigarros: indústria busca alternativas a restrições

Um ano após aprovação da Lei Antifumo em SP e do aumento do IPI, setor deve ampliar vendas de versões mais caras de seus produtos

Daniela Barbosa, iG São Paulo |

O ano de 2009 não foi dos melhores para as indústrias de cigarro no Brasil. A Lei Antifumo paulista passou a restringir o tabaco em lugares fechados e de uso coletivo no maior mercado consumidor do País, obstáculo que se somou a um novo aumento da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que incide sobre os cigarros. Passado um ano da aprovação da lei paulista e do anúncio do aumento do IPI, contudo, as principais fabricantes já reportaram crescimento de ganhos e receitas. E manterão as estratégias em 2010.

A Souza Cruz, líder no mercado nacional, com 63% de participação, perdeu volume de vendas em 2009, mas seu lucro líquido cresceu 18,8% em comparação com o ano anterior, para quase R$ 1,5 bilhão. A receita líquida, por sua vez, avançou 9,3%, para R$ 5,8 bilhões. Os bons resultados, de acordo com a empresa, foram garantidos por três fatores: aumento de 22% dos preços, valores em dólar mais atrativos (no caso das exportações) e maior participação de cigarros da linha "premium" nas vendas.

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Número de cigarros consumidos no Brasil caiu 10% em 2009, mas receita das principais fabricantes cresceu

A gigante Philip Morris, maior empresa privada dessa indústria no mundo, reduziu globalmente o volume de cigarros produzidos em 1,5% no último ano. Em seus demonstrativos financeiros, a companhia não apresenta os números exclusivos do Brasil, mas a região da América Latina e Canadá – da qual o Brasil é um dos principais mercados – foi a que mais ampliou sua receita líquida, com crescimento de 14,7%. O Brasil também está entre os países em que a participação de mercado foi “de estável a crescente”, segundo a empresa. Atualmente, a Philip Morris detém 14% do mercado brasileiro de cigarros.

Quase 100 bilhões de cigarros consumidos

Tudo isso ocorreu em um cenário de menos consumo do produto – o que explica a estratégia de priorizar as linhas “premium”, mais caras. Segundo dados apurados pela Aliança de Controle do Tabagismo (ACT), foram consumidos 94,7 bilhões de cigarros no Brasil em 2009. O volume é cerca de 10% menor que o registrado no ano anterior, quando o consumo chegou a 105,6 bilhões de unidades.

As medidas que contrabalançaram a maior restrição ao tabaco e a elevação dos impostos garantiram receita maior, mas a indústria continuará a enfrentar percalços em 2010, segundo analistas. “O setor até teve lucro maior, mas perdeu em volume, e isso tende a se repetir neste ano”, diz Cauê Campos, analista da SLW Corretora. Renato Prado, analista da Fator Corretora, afirma que os papéis da Souza Cruz perderam atratividade na bolsa de 2009 pra cá e não estão sendo recomendados.

Para 2010, a saída encontrada pela Souza Cruz é continuar investindo em produtos com maior valor agregado. “A linha ‘premium’ corresponde a 28% das nossas vendas. Queremos crescer ainda mais nesse segmento”, disse Luís Rapparini, diretor financeiro da companhia, em apresentação a investidores. A marca mais vendida da companhia no Brasil é o Derby.

A estratégia de dar prioridade a cigarros mais caros fica perceptível quando se faz uma comparação histórica do setor: em 2003, segundo a ACT, o preço médio de um maço de cigarros era de R$ 2,40. O custo médio passou a R$ 3,30 no ano passado. O aumento também tem relação com os três reajustes do IPI sobre o produto estabelecidos nesse período.

A Philip Morris já afirmou que pretende aumentar os pontos de distribuições no País e ampliar o portfólio de produtos para ganhar terreno no mercado brasileiro. Sua principal marca é o cigarro Marlboro.

(Colaborou Patrick Cruz, iG São Paulo)

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