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Setor automotivo espera redução nas vendas em abril e maio; aumento no preço é puxado por fim do IPI reduzido e custo maior do aço

O carro zero deve ficar mais caro nas concessionárias a partir deste mês. O fim do benefício de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para veículos e o aumento do preço do aço para as montadoras puxará a elevação do preço do produto, afirmou nesta quarta-feira o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider.

AE
Venda de veículos bate recorde em março, mas resultado não deve se repetir em abril e maio
A perspectiva da entidade é que o preço maior tenha um impacto nas vendas e na produção de veículos em abril e maio. “O resultado de março foi excepcional. Nos próximos meses teremos uma acomodação do mercado e as vendas devem cair”, diz Schneider. Segundo ele, esse efeito começará a ser percebido a partir da segunda quinzena de abril. Muitos dos licenciamentos de automóveis feitos no início deste mês referem-se a vendas realizadas em março, quando o IPI ainda era reduzido para o setor.

Em março, foram vendidas 353,7 mil unidades, uma média de 15,4 mil veículos por dia. A expectativa da Anfavea é que a média diária de vendas caia para um valor entre 13,5 mil e 14 mil carros. Em abril, o desempenho deve ser ainda menor, porque há menos dias úteis, devido aos feriados da Páscoa e do dia 21.

Essa acomodação do mercado restabelecerá os níveis de estoque nas concessionárias. Em março, 162 mil veículos estavam nos pátios das empresas, o suficiente para abastecer o mercado por 14 dias. A partir de agora, o estoque aumentará e retornará ao nível necessário para atender a demanda de 26 a 27 dias.

O mercado deve voltar a se aquecer em junho, puxado pelo bom desempenho da economia, de acordo com Schneider. “O aumento da massa salarial, o crescimento do PIB [Produto Interno Bruto], do crédito e da confiança do consumidor e dos empresários trazem uma perspectiva positiva para o setor automotivo.”

Perspectivas para 2010

Mesmo com o recuo previsto nas vendas e na produção de veículos no segundo trimestre, a Anfavea manteve suas projeções para o resultado do ano. A entidade espera que 3,4 milhões de automóveis novos sejam emplacados neste ano, 8% acima do registrado em 2009. A produção deve crescer 6,5% e alcançar 3,39 milhões de unidades em 2010.

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