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Executivos do grupo devem levar à mesa todas as alternativas para evitar ir à Justiça, mas marca Sadia é inegociável

Sadia e Perdigão: juntas há dois anos
AFP
Sadia e Perdigão: juntas há dois anos
Os próximos quinze dias serão tensos para os executivos da BRF Brasil Foods, empresa resultante da fusão da Sadia com a Perdigão. O grupo gastará toda a sua munição para chegar a um acordo com os conselheiros do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

E as expectativas de fontes consultados pelo iG é de que a BRF colocará todas as cartas na mesa, aceitando se desfazer de fábricas e de todas as marcas que pertencem ao seu portfólio, como Rezende, Wilson e Confiança, para chegar a um acordo com as autoridades antitruste. Mas uma dessas cartas é inegociável: a marca Sadia.

O grupo deve tentar ao máximo fechar um acordo com as autoridades brasileiras, o que poderá fazer até mesmo com que as negociações se arrastem por um prazo além dos quinze dias previstos, evitando assim entrar na Justiça. No entanto, qualquer alternativa deve ser aceita desde que não envolva a venda da Sadia pela Perdigão, que já estão juntas desde maio de 2009.

“Hoje, a maioria das empresas tenta fechar um acordo com o Cade, mesmo depois do julgamento, aceitando pagar algum tipo de multa, para não entrar na Justiça”, afirma a professora de economia do Insper, Luciana Yeung. Um processo na Justiça, além de se estender por um prazo indeterminado, custa muito caro.

O processo movido pela Nestlé, cuja aquisição da Garoto foi vetada pelo Cade, vai completar dez anos em fevereiro de 2012 e se transformou em um emblema da morosidade do sistema judiciário brasileiro. “Como a Justiça brasileira é muito formalista, isso permite que as empresas entrem com recursos, arrastando o processo por muito tempo”, diz Yeung.

Veja cronologia do processo de fusão:

25 de setembro de 2008 – A Sadia, a maior processadora e exportadora de carne do país, anuncia perdas de R$ 760 milhões com operações de derivativos cambiais. A empresa encerra o ano com prejuízo de R$ 2,5 bilhões, o maior em seus 64 anos de história.

Maio de 2009 - Os presidentes da Sadia, Luiz Fernando Furlan, e da Perdigão, Nildemar Secches, anunciam a fusão entre as duas empresas e a criação da BRF Brasil Foods.

Setembro de 2009 – é concluída a troca de ações entre as empresas. A Sadia transformou-se em uma subsidiária da Perdigão, que passou se chamar BRF Brasil Foods. As empresas ainda se mantêm como entidades separadas, à espera do julgamento do Cade.

30 de junho de 2010 - Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), ligada aos Ministério da Fazenda, emite parecer em que afirma a fusão "resulta em concentrações significativas em diversos mercados relevantes de oferta de carne in natura e produtos industrializados". A secretaria recomenda o licenciamento das marcas Perdigão ou Sadia por, no mínimo, cinco anos, além da venda de um conjunto de fábricas.

Julho de 2010 – A Secretaria de Direito Econômico (SDE), do Ministério da Justiça, acompanha a avaliação da Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae).

Maio de 2011- Parecer dos procuradores do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomenda fortes restrições ao acordo ou a reprovação do negócio.

08 de junho de 2011 - Com um voto que durou mais de quatro horas, o conselheiro relator do Cade no caso Sadia-Perdigão, Carlos Ragazzo, votou pela reprovação da união das empresas. Um dos conselheiros pede vistas do processo e o julgamento é suspenso.

15 de junho de 2011 - Por recomendação do conselheiro Ricardo Ruiz, o Cade decide adiar o julgamento da fusão Perdigão-Sadia, atendendo a um pedido de BRF e Sadia. A data para a retomada do julgamento será definida pelo conselheiro.

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