SÃO PAULO - A Braskem já tem contratos fechados com cerca de 20 empresas para o fornecimento da "resina verde" que será produzida a partir do mês que vem no complexo petroquímico de Triunfo, no Rio Grande do Sul. O foco está no exterior, dado que mais de dois terços da produção da unidade serão dedicados à exportação, de acordo com o vice-presidente executivo da divisão de polímeros do grupo, Rui Chammas.

Entre os futuros consumidores - que vão empregar o insumo na fabricação de embalagens e outros produtos plásticos - estão a produtora brasileira de cosméticos Natura e a fabricante de brinquedos Estrela, além do grupo Acinplas e a francesa Sphere, dedicados à produção de embalagens plásticas para alimentos. A lista ainda inclui a argentina Petropack - do segmento de filmes para embalagens alimentícias - e grupos globais, como as empresas de produtos de higiene pessoal e cosméticos Johnson & Johnson e Shiseido. Por último, a Procter & Gamble (P & G) anunciou hoje o plano de utilizar plástico de fontes renováveis durante um evento em São Paulo com a participação da modelo Gisele Bündchen, garota-propaganda da linha de tratamento capilar Pantene, um dos primeiros produtos do grupo a receber as "embalagens verdes". Outros nomes seguem mantidos em confidencialidade pela Braskem, que produzirá, em Triunfo, 200 mil toneladas anuais de polietileno verde a partir do consumo de 460 milhões de litros de etanol de cana-de-açúcar, o que a colocará entre os três maiores compradores do produto no país. "Vamos ter demanda para as 200 mil toneladas e boa parte (desse volume) já foi contratada", afirmou Chammas, presente ao evento da parceria com a P & G. Segundo o executivo, em geral, os contratos são de longa duração, com prazos superiores a dois anos. Ele conta que a empresa tem encontrado boa receptividade às resinas verdes nos mercados europeu, asiático e americano. A iniciativa está inserida no plano que visa consolidar a Braskem como uma produtora mundial de química sustentável, o que inclui a possibilidade de levar projetos de resinas verdes a outros países. No momento, a empresa se debruça em estudos para viabilizar a produção em escala comercial de polipropileno por meio de fontes renováveis. De acordo com Chammas, o grande desafio tem sido encontrar inovações para reduzir o custo no processo industrial. No entanto, a Braskem está acelerando o passo para alcançar suas metas de sustentabilidade. Já no próximo mês - dentro de uma parceria com a Unicamp e a empresa dinamarquesa de bioinovação Novozymes -, está prevista a abertura de um laboratório em Campinas com foco nas pesquisas sobre matérias-primas renováveis. (Eduardo Laguna | Valor)

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