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Montadoras afirmam que aumento da produção de veículos requer contratações, mas relação não é “de um por um”

Os investimentos em automação das fábricas permitem ampliar a produção de veículos em uma escala superior ao volume de contratações. É o que argumentam as montadoras para justificar por que o emprego cresceu 4,7% em março, quatro vezes menos que a expansão da produção no período (20%), em relação ao mesmo mês de 2009, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

“As empresas investiram para reduzir gargalos de produção e, por isso, conseguiram produzir mais, mesmo sem aumentar o emprego em igual proporção”, disse o presidente da Anfavea, Jackson Schneider. Ele também afirma que o emprego cresce quando aumenta a produção, mas a relação não é “de um para um”.

A Fiat ressalta que a automatização não substitui o emprego, pois os novos equipamentos requerem mais funcionários para operá-los. Entre 2008 e 2010, a montadora planeja investir R$ 5 bilhões no Brasil em novos produtos e na ampliação da capacidade das fábricas de 700 mil veículos por ano para 800 mil. Esse aumento será feito com a eliminação de gargalos que reduzem a velocidade de produção.

Um exemplo foi o aumento da automatização no processo de pintura, que operava abaixo da capacidade da linha de montagem. Enquanto a fábrica montava 3.000 carros por dia, o setor de pintura processava apenas 2.500 veículos. O investimento em automação equalizou essa conta.

A GM também está investindo na modernização industrial e na ampliação da capacidade instalada. A montadora prevê investimentos de R$1,4 bilhão em suas fábricas de São Paulo, em São Caetano do Sul e em Mogi das Cruzes. Entre 2008 e 2012, a meta da GM é investir R$ 5 bilhões no Brasil.

Novas contratações previstas

A Anfavea afirma que a tendência é que o emprego cresça nos próximos meses, mesmo com a queda nas vendas prevista para abril e maio. Segundo o presidente da entidade, muitas vagas abertas em março não foram computadas no dado de emprego do mês e as boas condições da economia brasileira devem favorecer o setor até o final do ano.

Para Schneider, assim que os investimentos para aumentar a capacidade das indústrias se consolidarem, o setor deve contratar mais. Ele estima que até junho o nível de emprego na indústria automotiva retome os níveis pré-crise, de 131 mil vagas.

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