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Após dez suicídios, empresa nega ambiente desumano

Presidente da chinesa Foxconn, que produz para Dell, HP e Apple, disse que vai revisar todos os processos para evitar mais mortes

iG São Paulo |

A Foxconn, empresa chinesa que produz equipamentos eletrônicos para Dell, Hewlett-Packard e Apple, negou nesta quarta-feira que seus funcionários trabalhem em condições desumanas e disse que vai fazer de tudo para evitar novos suicídios. As declarações foram feitas depois que mais um empregado tirou a própria vida, o décimo caso desde o começo do ano. “Vamos rever todos os processos”, disse Terry Gou, presidente do conselho da empresa, durante coletiva de imprensa. “Não vai sobrar pedra sobre pedra”.

Getty Images
Empresa alega que funcionários podem estar sofrendo de um "contágio suicida"
A onda de suicídios na Foxconn levantou suspeitas de que funcionários da empresa chinesa sejam submetidos a condições desumanas de trabalho. Nas últimas semanas, uma série de reportagens publicadas em jornais chineses revelou que eles são obrigados a trabalhar muitas horas seguidas para atender à demanda, recebem um salário de R$ 278 (pouco mais da metade do salário mínimo no Brasil) e dividem um mesmo dormitório com outros dez colegas de trabalho.

A Foxconn tem cerca de 420 mil funcionários em duas fábricas em Shenzhen, um polo de fabricantes de eletroeletrônicos no sul da China. De acordo com o jornal norte-americano "The New York Times", a empresa é conhecida pela eficiência militar e por produzir equipamentos como o iPhone e o iPad, da Apple. Ela também é lembrada pelo alto volume de produção: a cada turno são feitos cerca de quatro mil computadores da Dell.

Para tentar provar que as condições de trabalho nas suas fábricas são adequadas, os executivos da Foxconn convidaram acadêmicos e agentes de saúde para conhecer suas instalações. Durante a coletiva de imprensa desta quarta-feira, eles disseram que os suicídios podem ser resultado de uma série de fatores sociais, como o aumento do abismo social na China e até uma teoria de contágio de suicídio, segundo a qual as pessoas tendem a copiar o comportamento suicida.

Para tentar acabar com a onda de suicídios, os executivos da Foxconn estão tentando melhorar o clima dentro das suas instalações. Para isso, contrataram cantores, dançarinos e professores de educação física para trabalhar com os funcionários. Para ajudar a diminuir o estresse, foram contratados também psicólogos e até monges budistas. Apesar dos números elevados, a taxa de suicídios da Foxconn ainda estão abaixo da média chinesa. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, são 14 para cada 100 mil pessoas.

Os suicídios da Foxconn foram cometidos por jovens entre 18 e 24 anos. Li Hai, o último a tirar a própria vida, tinha 19 anos e trabalhava na empresa há apenas 42 dias. A Foxconn é parte do grupo Hon Hai, que foi fundado em 1974 por Terry Gou, o homem mais rico de Taiwan segundo a revista norte-americana Forbes.

Mortes na França

Problemas como esse não acontecem apenas em um país em desenvolvimento e histórico de maus tratos a funcionários. Em 2009, uma onda de suicídios tomou conta da France Telecom, a terceira maior operadora de telefonia celular da Europa. De acordo com números da revista norte-americana Businessweek, mais de 30 funcionários cometeram suicídio desde o início de 2008.

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