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Antes sem supermercado, Sobral vira polo regional

Em duas décadas, cidade deixou de exportar mão-de-obra, passou rede de serviços ampla e já tem quatro universidades

Gustavo Poloni, de Sobral (CE) |

A industrialização que ajuda a criar ilhas de excelência no sertão nordestino poderia ter acontecido há muitos anos. No fim da década de 1950, o governo federal criou um órgão cuja função era promover políticas para diminuir as desigualdades entre o Nordeste e os Estados ao sul do País. Batizada de Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), ela teve suas funções alteradas durante a ditadura militar que se instalou no País em 1964 e foi extinta em 2001. “Com a saída dos idealizadores do projeto, como o economista Celso Furtado, a Sudene ficou acéfala e virou uma repartição pública como outra qualquer”, afirma Francisco Cunha, sócio da consultoria TGI, com sede em Recife.

Haroldo Saboia
Detalhe das caldeiras da fábrica da Grendene em Sobral: em 20 anos, ganhou quatro universidades e redes de supermercado
O desvirtuamento do órgão fez com que os Estados do Nordeste dessem início a uma guerra para atrair empresas para a região. Com um problema: como eram todos muito pobres, tinham pouco (ou nada) a oferecer. A coisa só melhorou a partir do final da década de 1980, quando a nova Constituição, o fim da inflação, o aumento do salário mínimo e programas como o Bolsa Família aumentaram o mercado consumidor da região. A partir daí, empresas como Sadia, Perdigão e Nestlé passaram a abrir suas fábricas no Nordeste. “O crescimento da classe C no Nordeste nos últimos anos foi fantástico”, diz Cunha. “Esse crescimento gera um efeito em cascata que tem impacto em todas as classes sociais”.

A Grendene é uma dessas empresas que resolveram apostar no Nordeste. Fundada em Farroupilha, no Rio Grande do Sul, percorreu 4,3 mil quilômetros em busca de incentivos fiscais, mão de obra barata, linhas de financiamento do Banco do Nordeste e proximidade com o mercado externo, para onde se destina 35% da sua produção. A primeira fábrica foi instalada em 1990 em Fortaleza, capital do Ceará. Três anos depois, abriu a segunda unidade na região, em Sobral. A ideia surgiu de um desafio do então governador Ciro Gomes para o presidente da empresa, Alexandre Grendene. Meses depois a empresa alugou um galpão e contratou 1,2 mil funcionários.

De lá para cá, muita coisa mudou. A cidade que não tinha sequer supermercado (a empresa emprestava um ônibus que levava os funcionários até Fortaleza para fazer compras) cresceu e se desenvolveu. Hoje, Sobral não tem apenas várias redes de supermercados, mas quatro universidades _duas federais e duas estaduais. Já a empresa conta com 23 mil funcionários e é a maior empregadora da cidade _mais até do que prefeitura local. “Quando morava em Farroupilha diziam que o nordestino não gosta de trabalhar e hoje somos a unidade mais produtiva da empresa”, afirma Nelson Rossi, o responsável pela fábrica da Grendene em Sobral. “É preciso acabar com essa ideia de que existem vários Brasis”.

 

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