Novo regime automotivo exigirá que Brasil forme pesquisadores no exterior

Na avaliação da Anfavea, carência de especialista no mercado pode impedir que empresas atinjam as metas de desenvolvimento tecnológico impostas pelo Inovar-Auto

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O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini, afirmou nesta quinta-feira (4) que o Brasil tem carência de pesquisadores e terá de formar profissionais fora do País para que as empresas disponham de especialistas necessários para atingir as metas de desenvolvimento de tecnologias impostas pelo Inovar-Auto. "O novo regime impõe o desafio de formar mão de obra e pesquisadores. Vamos precisar formar pessoas fora e depois trazê-las de volta", disse, em encontro com jornalistas promovido pela entidade para apresentar os resultados das montadoras em setembro.

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Segundo Belini, atender as metas do Inovar-Auto é um "grande desafio" para o setor e, para atingi-las, deverá haver uma interação entre montadoras, fabricantes de autopeças e centros de conhecimento. "A academia brasileira tem um potencial gigantesco", disse, ao citar, como exemplo de tecnologia nacional de sucesso, o desenvolvimento de motores flex. "O Brasil tem uma base de conhecimento, mas o setor automotivo tem, agora, que dar um salto".

Em relação à cadeia de autopeças, o presidente da Anfavea disse que as fabricantes de partes e sistemas terão de acompanhar as exigências do novo regime em termos de desenvolvimento, inovação e metas de eficiência energética. "As autopeças terão o grande desafio de acompanhar o setor e é obrigação das montadoras dar suporte", afirmou.

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Belini afirmou que boa parte das tecnologias do setor existentes fora do País será adaptada para o mercado brasileiro. "Ninguém vai reinventar a roda, temos que adaptar as tecnologias às nossas estradas, ao combustível brasileiro e a outras características próprias", afirmou. Sobre as metas de eficiência energética, o presidente da Anfavea afirmou que os prazos são "apertados", mas que o setor tem condições de atingir os patamares estipulados pelo Inovar-Auto. "Será um grande esforço da engenharia nacional, considerando que não dá para simplesmente colocar o que existe lá fora aqui no País porque os combustíveis são diferentes", explicou.

O Inovar-Auto vai obrigar as montadoras a reduzirem em, no mínimo, 12% o consumo de energia - medido em megajoules por quilômetro rodado - dentro da média gasta pelos produtos da empresa no País até 2017. Para o consumidor, esse número significa uma redução de 13,6% no consumo de combustível por quilômetro.

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