Ambev ganha novo fôlego com adiamento de impostos

Tributo maior para cerveja teria início em outubro, mas decisão foi adiada em troca de investimentos

Ana Paula Ribeiro - Brasil Econômico |

As ações da Ambev, a maior fabricante de cerveja do país, ganharam um novo fôlego na última sexta-feira após o governo federal adiar para abril de 2013 o aumento de impostos sobre as chamadas bebidas frias (água, cerveja, sucos e refrigerantes). Essa medida, aliada ao tradicional incremento de consumo no final do ano, faz com que os papéis da empresa tenham boas perspectivas.

As ações da Ambev fecharam o pregão de ontem em alta de 2,23%, cotadas a R$ 78,82. Esse é o maior ganho do papel da indústria de cerveja em um único dia desde 6 de agosto. Os papéis da empresa estão com um desempenho superior ao do Ibovespa. Ontem, o índice subiu 0,7%. No ano, os papéis da cervejaria acumulam ganhos de 19% e o principal índice de ações da bolsa sobe apenas 5%

“A empresa tem excelente geração de caixa e bom nível de remuneração aos acionistas, isto é, acima dos 25% mínimos exigidos em lei. E com a chegada do final do ano, as vendas sempre são maiores”, afirma Clodoir Vieira, da Corretora Souza Barros.

É também a Ambev a segunda ação mais recomendada nas carteiras das corretoras consultadas pelo BRASIL ECONÔMICO (leia reportagem ao lado).

Em abril, com o lançamento do Plano Brasil Melhor, o governo decidiu elevar a carga tributária para o setor de bebidas para compensar as desonerações que estavam sendo concedidas a uma série de setores. As fabricantes de cerveja se movimentaram e conseguiram com que o governo adiasse a cobrança maior em troca de elevação dos investimentos, aumento dos postos de trabalho e renovação da frota de caminhões.

Em relação aos preços, a expectativa é de menor aumento ao consumidor final. Do lado do governo, o fato é positivo porque ajuda no controle da inflação. Já para a empresa, isso deve estimular o incremento do volume de vendas, segundo afirmaram, em relatório, os analistas Alexandre Miguel e Felipe Cruz, do Itaú BBA. “Esta mudança vai reduzir o aumento do preço real que a Ambev terá de implantar. Isso provavelmente vai se traduzir em volumes melhores de vendas”, afirmaram. Nesse caso, esse período melhor de vendas começa neste quarto trimestre que começou ontem, e se prorrogar até o ano que vem.

Vale lembrar que em outubro irá ocorrer um reajuste nos preços decorrente de uma atualização da base de recolhimento dos impostos federais sobre as bebidas, que é uma forma de compensar a inflação passada, e é feito anualmente. Isso ocorre porque ao contrário de outros produtos, o imposto incide sobre o valor fixo da unidade da bebida, e não é um percentual do preço.

Além do fator pontual, Vieira, da Coinvalores, lembra que a Ambev tem conseguido um bom desempenho nas vendas com o crescimento do segmento de cervejas ‘premium’ no país — de maior valor e, consequentemente, melhor margem para os fabricantes. “A Budweiser, da Ambev, está ganhando participação de mercado”, lembrou o analista.

Outro fator que pesa a favor do desempenho das ações da Ambev é o fato de as vendas da companhia serem concentradas no mercado interno - cerca de 70%. Esse perfil é importante em um momento em que o consumo no Brasil segue relativamente aquecido e ainda pairam dúvidas sobre a retomada da atividade econômica mundial.

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