Indústria quer vender US$ 11 bilhões para a China

Para atingir esse objetivo, governo levará uma comitiva de 30 empresários ao país asiático em novembro deste ano

Cristina Ribeiro de Carvalho - Brasil Econômico |

O Brasil quer ampliar as exportações de produtos de valor agregado para a China. Hoje, o país vende para o asiático principalmente produtos básicos, como commodities, mas quer colocar na pauta de exportações para o chineses mais alimentos processados, biscoitos, café, carne.

A meta é diversificar para reduzir os impactos negativos da crise na Europa e da lenta recuperação dos Estados Unidos na balança comercial brasileira. De janeiro a agosto deste ano, as exportações do Brasil caíram 3,67% sobre igual período de 2011, totalizando US$ 160,5 bilhões.

Na avaliação de Amílcar Lacerda, gerente de economia da Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia), o Brasil tem potencial para ampliar a venda de produtos processados para a China, podendo atingir no longo prazo exportações de US$ 11 bilhões — valor hoje já conquistado com venda de commodities agrícolas.

Segundo Lacerda, em 2011 o país vendeu US$ 2,66 bilhões em alimentos processados ao mercado chinês, alta de 58,3% sobre 2010, quando foi exportado US$ 1,68 bilhão. Em volume, os dados são ainda mais expressivos: 3,2 milhões de toneladas em 2011 e 2,5 milhões de toneladas em 2010.

“A China é um parceiro recente do Brasil, mas em virtude do rápido crescimento de seu mercado consumidor, o país já está consumindo além da soja”, explica Lacerda.

Sobre os potenciais alimentos que podem ganhar escala no gigante asiático, estão os sucos, biscoitos, chocolates e balas, de acordo com Lacerda. “Esses são os novos produtos. É a típica tradicional refeição de qualquer brasileiro”, enfatiza.

Para atingir esse objetivo, o governo já escolheu o mês de novembro para levar uma comitiva de 30 empresários à China para gerar negócios nesse sentido. Os alimentos que constam na pauta são as carnes, o vinho, o café e a cadeia de alimentos processados.

Contudo, Lacerda lembra que o mercado chinês é muito mais criterioso do que o brasileiro quanto à entrada de novos alimentos. “Todos os produtos que a China importa precisam passar pela vigilância sanitária. Além disso, é preciso que haja uma negociação mais próxima com o governo”, chama a atenção.

Para o professor da Fundação Getúlio Vargas Management, Evaldo Alves, a decisão tomada pelo governo é ainda conservadora embora seja vista com bom senso, já que certamente irá contribuir com a melhora do saldo da balança comercial. “É uma avanço na etapa de colocar na pauta alimentos de maior valor agregado. Mas ainda não estamos partindo para novos produtos industrializados com componentes de tecnologia. O Brasil não saiu do mundo das commodities”, frisa.

De acordo com Alves, essa ação está apenas atenuando os efeitos da crise econômica mundial, colaborando para que seja recuperado apenas a metade do volume de exportações perdida nos primeiros oito meses de 2012. “Portanto, é preciso que esse efeito seja anulado”, finaliza.

O professor da Unicamp e ex-secretário de política econômica da Fazenda, Júlio Gomes, também corrobora com a posição de Evaldo Alves, ao argumentar que o Brasil está atrasado em tudo o que se refere às exportações, apesar de também olhar com bons olhos a iniciativa.

“É muito importante que o Brasil diversifique sua pauta. Há produtos para isso”, aponta Gomes, ao lembrar que a diversidade de recursos naturais faz com que o país não seja dependente de apenas um ou dois produtos.

Para ele, a pauta a ser trabalhada no gigante asiático tem grandes perspectivas de sucesso por conta de a China ser um mercado em constante crescimento. “O país asiático compra zero de produtos industrializados do Brasil. Por conta disso, continuará sendo um parceiro muito bom e efetivo, que nos dará uma maior folga no que diz respeito ao comércio exterior”, opina o professor.

Segundo Gomes, a pauta agora a ser trabalhada pelo Brasil junto à China deve ser a de venda de aviões, mas sem deixar de avançar nas demais propostas.

“Essa ação terá impactos não agora, mas certamente será importante para o futuro, ampliando nossa atuação no mercado internacional”, finaliza, prevendo que os problemas referente à crise devem perdurar pelos próximos cinco anos.

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