Ericsson está pronta para atender à demanda por 4G

Empresa investiu R$ 10 milhões em fábrica no interior paulista e planeja novo aporte no ano que vem

Gabriel Ferreira - Brasil Econômico |

A Ericsson comemorou ontem, em sua fábrica em São José dos Campos, no interior de São Paulo, a produção da milésima estação de rádio base LTE no país. Com o equipamento, que é uma das partes mais importantes para a construção das antenas com tecnologia 4G, a companhia pretende aproveitar o momento de transição vivido pelo setor de telecomunicações no país. “Temos 60 mil estações já instaladas no Brasil e esperamos que muitas delas sejam adaptadas para a quarta geração ainda no ano que vem”, afirma Sérgio Quiroga, presidente da Ericsson para a América Latina e o Caribe.

Mesmo antes de a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) realizar as licitações que dividiram as frequência do 4G entre as operadoras brasileiras, a Ericsson já se preparava para atender essa demanda. Em 2011, a fábrica foi ampliada, resultado de um investimento de R$ 10 milhões. Com isso, a capacidade produtiva de estações de rádio base chegou a 40 mil unidades ao ano e a fábrica se adaptou para produzir as estações LTE. Novos investimentos devem ser realizados no ano que vem. “Pretendemos expandir a capacidade em 10% já em 2013”, diz Quiroga.

Cerca de 50% da produção da unidade de São José é exportada para outros países da América Latina. No caso do 4G, a maior parte das estações já vendidas, cerca de 70%, foram exportadas para clientes da América Latina, África e Estados Unidos. As 300 rádio bases restantes foram vendidas para a operadora Claro, primeira cliente da nova linha. “É lógico que pretendemos estar com as outras operadoras muito em breve, mas ainda não podemos adiantar nenhuma negociação”, diz Quiroga. Com isso, a Ericsson pretende repetir no Brasil, a liderança no mercado de redes 4G que detém no resto do mundo. Segundo a companhia, mais de 60% dos dados que trafegam no sistema LTE globalmente são transmitidos por equipamentos produzidos em suas fábricas.

Conteúdo local

O fato de o Brasil já ter empresas produzindo estações de quarta geração foi comemorado pelo governo. “Muitos não acreditavam que a indústria local daria conta da produção, mas essa marca atingida pela Ericsson prova que estávamos certos ao colocar o conteúdo local como questão central no leilão do 4G”, diz Paulo Bernardo, ministro das Comunicações, também presente ao evento da Ericsson. Pelas regras do leilão, ao menos 50% do conteúdo deve ser produzido no país. “Outras empresas já demonstram interesse em fabricar aqui”, afirma o ministro.

Crescimento

Os investimentos da Ericsson na unidade brasileira estão relacionadas às perspectivas positivas do mercado. Pelos planos da Anatel, a implantação do 4G deve ser uma realidade já em 2013, ano em que o Brasil sediará a Copa das Confederações, quando as cidades sede da competição devem ter as redes LTE já estruturadas. Estima-se que as operadoras devem fazer investimentos de R$ 3 bilhões ao ano em infraestrutura de redes 4G para atingir o plano de metas estabelecido pelo governo.

Se atingir o objetivo de abocanhar a maior parte dos investimentos em estações radio base, a subsidiária brasileira da Ericsson deve manter os resultados positivos registrados nos últimos anos. Em 2011, a operação local apresentou crescimento de 31%, valor superior aos 15% que a companhia cresceu em todo o mundo. As operações latino americanas somadas cresceram 33%, enquanto o mercado de telecomunicações no continente teve um aumento de 10%. O faturamento global da companhia foi de US$ 35 bilhões.

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