Governo vai cobrar mais investimentos de montadoras

Exigência será voltada principalmente para tecnologia de motores de empresas que atuam no país

Simone Cavalcanti - Brasil Econômico |

O governo quer forçar a elevação do nível de investimentos das montadoras instaladas no país a partir do ano que vem, quando o novo regime automotivo começar a vigorar. Para tanto, vai estabelecer metas consideradas arrojadas até por alguns técnicos oficiais em prol da eficiência dos motores e também do desenvolvimento tecnológico da cadeia de autopeças.

“As regras forçam o grau de investimento, principalmente em tecnologia na própria montadora e de seus fornecedores. Algo que eles nem estavam prevendo”, disse uma fonte que participa das negociações.

Até o fechamento desta edição, o anúncio da regulamentação estava previsto para ocorrer hoje ou no mais tardar amanhã pelo ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, e pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, a quem o ministro Guido Mantega deu autonomia total para decidir e fechar as negociações com os representantes do setor automotivo. Tanto que, no final da tarde, Pimentel foi levar à presidente Dilma Rousseff as metas gerais do programa.

Mantega está em Paris, mas seria comunicado, por telefone, do resultado das negociações com os representantes do setor, que seguem defendendo objetivos mais baixos.

O governo quer elevar a eficiência de consumo de combustíveis. Até o mês passado, a discussão estava sobre estabelecer níveis menores de emissão de CO2, mas os integrantes dos Ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) entenderam que, se houver um motor mais econômico, consequentemente, será menos poluente.

“Por que as mesmas montadoras conseguem fabricar lá foram carros 2.0 que consomem menos do que os nossos 1.0?”, questiona uma fonte do governo a par das negociações. Por isso mesmo, o governo insiste em forçar novos patamares de desenvolvimento tecnológico para que os veículos brasileiros sigam níveis semelhantes a Estados Unidos, Japão e países europeus.

As montadoras alegam que esse ganho de eficiência requerido vai exigir muito mais investimentos do que os previstos inicialmente porque as condições brasileiras são distintas das encontradas nas economias desenvolvidas, como a condição das estradas e o tipo de combustível, por exemplo.

Outro ponto de desacordo entre as fabricantes e o governo está na questão dos caminhões. O setor defende o mesmo multiplicador de conteúdo local para carros leves, estabelecido em 1,3 para 2013. Mas os técnicos oficiais argumentam que ele deve ser mais alto, justamente porque a cadeia de fornecedores que existe hoje no país permite que os veículos pesados sejam fabricados com até 99% de peças brasileiras.

Ao mesmo tempo, as montadoras terão de fazer investimentos para impulsionar e dar o vigor necessário às empresas de autopeças a fim de que estas tenham capacidade de ofertar peças tecnologicamente mais avançadas.

Pelas regras que entram em vigor no início do ano que vem, para obter o desconto maior do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), além dos 30 pontos percentuais pelo conteúdo nacional, as fabricantes devem destinar um percentual para o aprimoramento dos produtores de autopeças.

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