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Brinquedinho de gente grande,  carro de luxo permite quase tudo

Alguns modelos não existem no Brasil e são importados exclusivamente para seus proprietários. Outros veículos saem ao gosto do freguês, com cores únicas e costuras dos estofados especiais

Ana Paula Ribeiro - do Brasil Econômico |

Getty Images
Bentley aposta na customização de seus carros de luxo para agradar clientes

Que o brasileiro é apaixonado por carros, todo mundo já sabe. Mas esta característica fica ainda mais evidente quando o que está em discussão são os modelos importados de luxo, que chegam a custar acima de R$ 1 milhão. E para as pessoas que nem assim ficam satisfeitas, há ainda a opção de solicitar um modelo sob medida, com as cores, inclusive as internas, ao gosto do freguês, ou mesmo importar, como pessoa física, um veículo não disponível no país.

Toninho Abdala se enquadra nesse perfil. Amante da marca britânica Bentley, há dois anos abriu uma revenda autorizada em São Paulo. Desde então foram vendidos 42 veículos entre os cinco modelos disponíveis no país. Para cada um deles, o cliente pode escolher entre uma das 45 cores disponíveis e 40 variedades de couro para o revestimento interno, além de diferentes opções de costura. “Quem compra um carro desses é quem tem dinheiro e bom gosto”, defende o empresário.

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De acordo com ele, do momento da compra até a entrega do veículo já customizado ao cliente, a demora é de, no máximo, quatro meses. “Nossos clientes são de todas as faixas etárias, já que os modelos disponíveis atendem a grande preferência do brasileiro”, diz.

A opção de customização não é exclusiva da Bentley. Outras marcas de importados de luxo, como a Ferrari, também prestam esse serviço ao exigente cliente.

Dentro desse público, o empresário A.Giordano (que pediu para não revelar o nome completo) não vê dificuldade na compra de importados de luxo no Brasil, mas avalia que essas marcas demoram muito para fazer novos lançamentos. “Está demorando demais para esses veículos acima de R$ 1 milhão”, avalia o proprietário de um veículo da marca Lamborghini.

Como as opções são menores, ele optou por comprar também carros de outras marcas de patamar de preço inferior, de R$ 100 mil a R$ 500 mil, mas que possuem grande disponibilidade de modelos no Brasil. Por essa razão, possui outros carros, como um da marca and Range Rover e outro da Chrysler.

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Também acostumado no trato com o público das classes A e B, a Harley Davidson afirma que esses clientes exigem um atendimento de qualidade e que avalia não só o preço da motocicleta, mas também o conforto, ergonomia e segurança, segundo o gerente de Marketing da marca no Brasil, Júlio Vitti. “Temos casos de clientes que querem alguma cor específica e que aí esperam pela montagem da motocicleta”, diz.

Acostumado com um público fiel, o executivo diz que é comum o amante da Harley Davidson, além de investir na compra de roupas e acessórios da marca, ter também mais de uma moto em sua residência. “O caso mais curioso é de um cliente em Belém, cuja esposa não gostava de motocicletas e o fez optar entre ela e a moto. Hoje eles não estão mais casados”, revela o executivo.

Por conta própria

O aumento do imposto sobre produtos industrializados (IPI) levou muitos consumidores a realizar as contas para ver se não compensaria fazer a importação do veículo diretamente, como pessoa física, e se valer, por meio de uma ação judicial, do não pagamento do IPI. “Essa é uma saída válida do ponto de vista tributária, mas em geral o custo do frente internacional não compensa. É algo muito caro quando é feito para um único objeto”, avisa o tributarista Henrique Zaninetti, sócio do Siqueira Castro Advogados.

Essa ressalva é feita mesmo já avaliando que o preço do veículo na Europa ou nos Estados é mais barato do que no Brasil. Na importação, o cliente precisa, além de cumprir uma série de trâmites burocráticos, realizar o pagamento do imposto de importação (35% do valor do veículos), o IPI (que pode chegar a 55%), ICMS e PIS/Cofins. O único que a pessoa física pode “escapar” é o IPI.

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Zaninetti afirma que é necessário fazer as contas na ponta do lápis para ver se compensa, mas é categórico ao dizer que não é uma saída para carros que no Brasil são vendidos por até R$ 100 mil. Outro fator a ser levado em conta é a demora. “Com um despachante aduaneiro ou um assessor de comércio exterior, pode demorar cerca de três meses. Sozinho, pode superar e muito esse prazo”, diz.

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