Marcos Grodetzky, executivo da Fibria responsável por boa parte da administração financeira da fabricante de celulose, deixará seu cargo no fim de março.

A função de diretor de relações com investidores da companhia será ocupada pelo presidente da Fibria, Carlos Aguiar, até a escolha de um novo executivo para a empresa resultante da compra da Aracruz pela Votorantim Celulose e Papel (VCP).

Não foi anunciado um novo destino para o executivo, que deve assumir uma posição relevante numa nova companhia, segundo assegurou uma fonte ao iG .

Perfil do executivo

Grodetzky, de 53 anos, foi o terceiro financeiro da empresa nos últimos 18 meses. Ele assumiu a função de diretor de relações com investidores da Aracruz em novembro de 2008, dois meses depois de a companhia amargar prejuízos pesados por causa de operações com derivativos em dólar.

Isac Zagury, que foi apontado como o responsável pelas operações e está sendo processado pela empresa, foi afastado do cargo em setembro. Sua vaga foi ocupada por Valdir Roque, então diretor financeiro da VCP. Seu mandato durou algumas semanas.

Economista pela UFRJ, Grodetzky, que trabalhou por mais de uma década no Citibank e foi o diretor financeiro da Telemar, foi convocado para fazer a negociação da dívida da Aracruz com os bancos credores.

Gestão da dívida

Apesar do esforço de redução da dívida nos últimos tempos, com venda de uma fábrica de celulose e alongamento e redução nos custos de endividamento, além de um cenário mais favorável para os preços de celulose, a Fibria continua com uma posição financeira longe de ser confortável.

A relação entre dívida líquida sobre a geração de caixa, uma fórmula usada pelo mercado financeiro para medir a situação financeira da empresa, era de 6,3 vezes no fim de 2009. Ou seja, a empresa precisaria de uma geração de caixa de pouco mais de seis anos para quitar sua dívida líquida.

Neste ano, a empresa deve pagar cerca de R$ 600 milhões com juros da dívida.

Recentemente, Grodetzky deu entrevista acenando a possibilidade de venda das fábricas remanescentes de produção de papel da Fibria além de terras, com o objetivo de reduzir ainda mais a dívida da companhia, cujo foco principal é a produção de celulose.

Ele acrescentou que a empresa poderia chegar a um endividamento líquido na casa de quatro vezes a geração de caixa em 2010.

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