Restos da produção viraram lixeiras, pias e criados-mudos na casa do catarinense Mario Ferminio

Quando Mario Ferminio precisou colocar novos móveis na casa em que mora com a família, em Santa Catarina, o fabricante de pranchas não gostou do orçamento feito nas lojas especializadas. O objetivo era comprar a cabeceira da cama, um lavabo e dois armários laterais, mas, ao invés disso, Ferminio resolveu fazer, ele mesmo, os objetos. “Achei muito caro, pois eram coisas simples”, diz. A solução foi utilizar o lixo gerado na produção de sua fábrica para criar os novos itens da decoração.

Móvel produzido com restos da fabricação de pranchas
Divulgação
Móvel produzido com restos da fabricação de pranchas

O primeiro resultado da criatividade do catarinense foi a cuba para o lavabo, feita a partir do resto de madeira que integra a prancha. Depois disso, Ferminio produziu o armário inferior, para completar o conjunto. No quarto, o isopor que sobrava na fabricação dos produtos virou painel para a cama, que também ganhou companhia de dois criados-mudos feitos do mesmo material reciclado.

De acordo com um relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado em maio deste ano, o País perde R$ 8 bilhões por ano quando deixa de reciclar todo resíduo reciclável que é encaminhado para aterros e lixões nas cidades brasileiras. No País, apenas 12% dos resíduos sólidos urbanos e industriais são reciclados.

Segundo Ferminio - que além de fabricar pranchas surfa há 30 anos -, a ideia para móveis reciclados surgiu há cerca de dois anos, mas a preocupação com o meio ambiente já o acompanha há mais tempo.

Em 2006, ele aderiu a novos processos de fabricação, com utilização de menos energia e materiais recicláveis. Foi nesta época, também, que começou a fabricar blocos de concreto utilizando o resto de isopor. “Mas é um produto difícil de comercializar por causa do preço mais alto do que o do bloco normal”, afirma.

A viabilidade dos produtos, inclusive, é um dos objetivos do catarinense, que trabalha hoje no aperfeiçoamento do processo de fabricação para poder levar ao mercado os móveis gerados a partir do lixo. De acordo com ele, uma das vantagens dos objetos reciclados é a maior resistência à umidade e aos ataques de cupins. O surfista lembra ainda que os consumidores de suas pranchas, em caso de desgaste ou quebra, podem devolvê-las para a reciclagem na fábrica.

A ideia de Ferminio é produzir outros produtos com o material reciclado. “É muito grande a possibilidade de criação”, diz ele. “Hoje quando mostro para meus amigos tudo o que estou fazendo, eles ficam abismados, pois são produtos exclusivos, bem feitos e vindos do lixo.”

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.