Quase 20 companhias brasileiras de biotecnologia vão participar da maior feira mundial do setor em busca de parcerias no exterior

Criada em 2006 e instalada na incubadora de empresas Supera, no campus da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, no interior paulista, a Invent Biotecnologia tem características comuns a boa parte das empresas nacionais do setor. Com poucos anos de formação e foco na área de saúde, a Invent busca parcerias no exterior para seguir investindo em pesquisa. “No Brasil, o investimento da indústria farmacêutica em desenvolvimento é pequeno. Por isso, buscamos parceiros internacionais”, diz Sandro Soares, um dos sócios da Invent.

Além da Invent, outras 16 empresas deverão participar da maior feira de biotecnologia do mundo, a Bio Internacional Convention 2010, que ocorre entre os dias 4 e 6 de maio em Chicago, nos EUA. Na mira das empresas nacionais estão oportunidades de negócios no exterior.

Apesar do aumento dos investimentos no País – em 2007, o governo lançou uma política cuja meta era tornar o Brasil um dos líderes do setor num período de até 15 anos -, os especialistas da área reconhecem que os brasileiros ainda têm um longo caminho pela frente em termos competitivos. “Nós sabemos que nem todas as empresas estão preparadas para a exportação”, diz Eduardo Giacomazzi, gestor do projeto BrBiotec , selo criado para representar a indústria brasileira de biotecnologia no exterior.

Inovações brasileiras atraem investidores internacionais

Para quem pretende ganhar o mercado externo, porém, o momento nunca foi tão promissor. “Há um real interesse em investir no Brasil”, afirma Fernando Kreutz, diretor da FK Biotecnologia. Criada em 1999, a empresa tem cinco patentes depositadas no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) e deve lançar no mercado ainda neste semestre o primeiro teste de gravidez com diagnóstico de urina 100% produzido no Brasil.

De acordo com Kreutz, esta e outras inovações já chamaram a atenção de investidores estrangeiros para a marca brasileira. “Já recebemos propostas de americanos e europeus para montar a empresa no exterior”, afirma.

A Invent, por sua vez, apresentará durante a BIO2010 uma vacina contra a pneumonia em cavalos, produto em processo de desenvolvimento na empresa e ainda inédito no mundo. A expectativa da Invent é fazer negócios durante o evento e lançar a vacina no mercado nos próximos dois anos. “Nós entendemos que é mais fácil obter parceria no exterior do que no Brasil”, diz Soares.

Lançado por iniciativa do governo federal, o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) também pretende acessar o mercado internacional, segundo Ewerton Ferreira, coordenador da área de negócios do instituto. “Empresas de biotecnologia não podem se restringir ao mercado brasileiro. É preciso pensar em atuar globalmente”, diz.

Inaugurado em 2002, o CBA trabalha para o desenvolvimento e aprimoramento de processos e produtos da biodiversidade amazônica. Com seu nome na lista dos participantes da BIO2010, o centro pretende preparar o terreno para um futuro internacional promissor. “O nosso interesse é saber o que se espera no mundo para escolher que caminho traçar”, diz Ferreira. 


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