Brasília, 23 - A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) será uma das primeiras estatais de pesquisa do mundo a se internacionalizar, segundo o presidente da companhia, Pedro Arraes

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Brasília, 23 - A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) será uma das primeiras estatais de pesquisa do mundo a se internacionalizar, segundo o presidente da companhia, Pedro Arraes. "A medida provisória foi uma grande conquista que conseguimos", disse em entrevista à Agência Estado, em relação ao documento assinado pelo presidente Lula, publicado no Diário Oficial da União de hoje, e que altera a redação da lei que criou a estatal, liberando-a a exercer "qualquer das atividades integrantes de seu objeto social fora do território nacional, em conformidade com o que dispuser seu estatuto social". Arraes conversou com a reportagem a caminho do aeroporto, de onde embarcará para os Estados Unidos para participar de um seminário na área de biossegurança. Com a formalização da internacionalização, a estatal passará a ter mais poder sobre o gerenciamento das finanças da empresa. Assim, se ela desejar atuar fora do Brasil, terá flexibilidade financeira para isso. "Até porque aumentam as chances de os projetos serem totalmente sustentáveis por recursos unicamente externos", explicou Arraes. Ele negou, no entanto, a possibilidade de a Embrapa mudar seu foco de ação atual. "A Embrapa não vai virar uma empresa de negócios", afirmou. Para se ter uma ideia como até então a Embrapa só podia atuar em território nacional, os royalties pagos pelo Paraguai pelo uso da semente de soja produzida pela empresa, por exemplo, tinham de ser depositados obrigatoriamente ao Brasil mesmo se a companhia desejasse utilizar o dinheiro para firmar uma parceria ou pesquisa no país vizinho. Agora, a estatal poderá alocar os recursos onde considerar que será melhor para sua atuação. Outro exemplo é a dificuldade que a estatal tem de bancar pesquisadores com bolsa fora do País pelo mesmo travamento operacional, conforme o presidente. Mais do que satisfazer uma vontade da estatal, a internacionalização é uma demanda externa, segundo seu comandante, que se acentua a cada vez que o presidente Lula faz uma viagem para fora do País. "Muita coisa a gente não tinha condição de atender. Agora poderemos ser mais ágeis e mais flexíveis", comemorou. A Embrapa possui hoje três formas de atuação externa. A primeira é por meio de colaboração científica, em que parcerias desenvolvem pesquisa. São exemplos Estados Unidos, Coreia e França. A segunda é pela colaboração técnica, com a possibilidade de transferência de tecnologia. Recentemente, um país que se beneficiou com isso foi o Haiti. A terceira é a cooperação de negócios em que a estatal torna-se uma intermediária entre dois países ao fornecer material para plantio ou pecuária e, ao mesmo tempo, ser a ponte para que os produtos brasileiros cheguem a áreas que ainda não possuem desenvolvimento tecnológico tão avançado. "O impacto maior trazido com a internacionalização é nessas duas últimas formas de atuação", explicou Arraes. Para finalizar o processo burocrático, a estatal precisa agora alterar seu estatuto, o que deverá ocorrer nos próximos dias. "O mais complicado era ter a medida provisória. Agora a mudança do estatuto será quase automática", disse.

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