A expansão do varejo brasileiro, que resistiu à crise financeira mundial com alta de 5,9% em 2009, está aumentando o interesse de investidores pelo setor e impulsionando o crescimento das empresas

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A expansão do varejo brasileiro, que resistiu à crise financeira mundial com alta de 5,9% em 2009, está aumentando o interesse de investidores pelo setor e impulsionando o crescimento das empresas. Mesmo com o Ibovespa acumulando queda de 3,8% este ano, papéis de empresas do setor já tiveram mais de 100% de valorização. Além disso, as empresas de capital fechado estão ganhando cada vez mais fundos e bancos de investimento como sócios antes de abrir capital. "O varejo é a bola da vez na bolsa", decreta o analista da Socopa Corretora, Marcelo Varejão. "No começo do ano, o mercado estava muito ligado nas commodities, só se falava no aumento do minério. Mas logo os olhos se voltaram para as empresas de consumo interno. Além dos fundamentos da economia muito favoráveis a elas, algumas surpreenderam com resultados fantásticos no segundo trimestre." Varejão cita o caso das Lojas Renner. A receita líquida total da Renner cresceu 17% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2009, chegando a R$ 1,2 bilhão. No segundo trimestre, as vendas aumentaram 13,6%. No ano, as ações já subiram 48,5%. Outro papel que o analista passou a recomendar é o da Hering, que fabrica roupas e está em franca expansão de sua rede de lojas. A empresa surpreendeu com alta de 26,6% nas vendas no primeiro trimestre, em relação ao mesmo período de 2009. Em 2010, as ações já valorizaram 122%. "Os resultados da Hering têm sido bem acima da média do setor, o que tem atraído muito o mercado. Em 2009, as ações dela subiram mais de 280%", diz Varejão. Já as ações da Marisa acumulam alta de 108,55% em 2010, puxadas pelo aumento de 20% na receita líquida de R$ 713 milhões em vendas no semestre. Para Alexandre Pierantoni, sócio da consultoria PriceWaterhouseCoopers, exemplos como estes não faltarão na Bolsa daqui para frente, tendo em vista que o bom desempenho do setor tem estimulado a profissionalização e a consolidação. Ele diz que operações menos vistosas estão transformando o setor para além de grandes associações como Casas Bahia/Pão de Açúcar e Insinuante/Ricardo Eletro (Máquina de Vendas). Escala. "O varejo brasileiro ainda é muito pulverizado e, nesse segmento, escala é tudo", diz Pierantoni. "Este ano, devemos superar o número de fusões e aquisições de 2007", acrescenta, referindo-se às 58 operações que contabilizou no ano que foi considerado o melhor do varejo até a crise de 2008. A crise deu um freio na consolidação, reduzindo os negócios a 38 em 2008 e 24 em 2009, mas voltou com força este ano, turbinada por investidores. "Nos últimos anos, muitos fundos de private equity têm buscado esse tipo de investimento, participando de processos de consolidação ou virando sócios de empresas com uma visão de rentabilidade a médio e longo prazo", diz Pierantoni. "O IPO (abertura de capital) é geralmente o momento de saída desses fundos, de realização financeira do investimento." O BTG Pactual, por exemplo, tem no portfólio participações em três empresas de varejo: as redes de postos Via Brasil e Aster e a franqueadora de drogarias Farmais. O bom desempenho recente do comércio de medicamentos também atraiu Gávea Investimentos e Pragma, que se tornaram sócios da Droga Raia. O Capital Group tem 12% do Magazine Luiza, que ensaia há algum tempo a abertura de capital. Para Pierantoni, o cenário de crescimento da economia nos próximos anos deixou para trás a imagem de instabilidade do varejo, que deve atrair cada vez mais capital estrangeiro. "O mercado de capitais quer tamanho, liquidez e previsibilidade. E o varejo está dando isso", afirma.

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