Os supermercados brasileiros devem fechar 2011 com uma desaceleração no volume de vendas quase três vezes maior que a apurada no ano passado, conforme dados divulgados nesta quarta-feira pela associação que representa o setor no país, Abras.
De janeiro a agosto, o setor supermercadista vendeu 2,5% mais em termos de volume na comparação com o mesmo período de 2010. O crescimento, entretanto, ficou bem abaixo do verificado um ano antes, quando houve alta de 6,8%.
Segundo o superintendente da Abras, Tiaraju Pires, o cenário nos últimos quatro meses do ano não deve ser alterado, considerando que 2010 foi marcado por forte expansão do consumo e que não há perspectivas de grandes mudanças do atual cenário macroeconômico.
"É bastante provável que (as vendas) se mantenham no patamar atual, ficando bem abaixo do ano passado em volume", disse ele, atribuindo o desempenho à forte base de comparação com 2010, quando o aumento do poder aquisitivo das classes mais baixas, somado à Copa do Mundo, estimulou as vendas, principalmente de cerveja, que tem elevado peso no índice.
No acumulado deste ano, a cesta de bebidas alcoólicas também se manteve como responsável pelo crescimento, com alta de 7,2%, sendo que as vendas de cerveja avançaram 4,3% ante igual intervalo de 2010.
O resultado, contudo, é bastante inferior ao visto um ano antes, quando a comercialização de cerveja acumulava expansão de 19,5% e a de bebidas alcoólicas como um todo, de 16,6%.
Por outro lado, as vendas de vinho responderam pelo maior avanço entre janeiro e agosto, de 34,5% ano a ano.
"Isso mostra claramente a movimentação das classes sociais, permitindo a compra de produtos que antes eram inacessíveis, somada à maior oferta de vinhos em supermercados", disse Pires.
As vendas de perecíveis responderam pelo segundo melhor desempenho no acumulado de 2011, sendo 5,2% maiores.
Faturamento cresce
Já em termos de receita, as vendas reais dos supermercados aumentaram 3,91% em agosto na comparação com o mesmo mês do ano passado. Em relação ao mês anterior, houve queda de 2,2%, atribuída ao fato de julho contar com um final de semana a mais.
No acumulado do ano até agosto, o setor registrou expansão de 4,27% nas vendas ante igual intervalo em 2010.
A Abras manteve a estimativa de crescimento de 4 por cento para as vendas do setor no fechado de 2011.
A entidade apresentou também os dados da cesta AbrasMercado, composta por 35 produtos e calculada pela GfK, que em agosto aumentou 2,14% sobre o mês imediatamente anterior, para R$ 302,32. Na comparação anual, o valor da cesta subiu 11,58%.
Os produtos com maiores altas de preço em agosto ante julho foram tomate (+7,09%), carne traseiro (+6,5%) e frango congelado (+4,5%). As maiores quedas foram cebola (-11,56%), batata (-11,04%) e farinha de mandioca (-3,35%).