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Vendas à China vão muito além das commodities

Na esteira de grandes empresas brasileiras que atuam no país, empreendedores exportam serviços como manicure e ensino de línguas

Daniela Barbosa, iG São Paulo |

Em fevereiro de 2007, uma conversa de pouco mais de uma hora entre empresários americanos e o brasileiro Iuri Volcato fez nascer a ideia de abertura de uma churrascaria "made in Brazil" na região de Macau. O gaúcho Volcato entrou com a experiência em churrascos e o conhecimento do mercado chinês, que já estudava havia algum tempo, e os americanos financiaram o projeto. Assim nasceu o restaurante Fogo Samba, inaugurado dentro do maior resort do mundo, o Venetian Macau.

Divulgação
A unidade da Wizard em Tianjin: rede quer ter dez escolas na China até o fim de 2011
O empresário é o exemplo de um movimento crescente: na trilha de grandes empresas brasileiras que se instalaram na China, também empreendedores de menor porte entraram na briga pelo mercado do gigante asiático. Esse movimento ajuda a engordar a presença física das companhias brasileiras no país, ainda relativamente baixa, apesar do crescente comércio entre os dois países. "O número de empresas do Brasil com algum tipo de operação na China não chega a 50", afirma Rodrigo Maciel, consultor e ex-secretário executivo do Conselho Empresarial Brasil-China. “A quantidade é pequena diante das oportunidades que a China oferece”. Os Estados Unidos, por exemplo, têm mais de três mil empresas instaladas no país; o Chile, 140.

A churrascaria administrada por Iuri Volcato, de três andares, tem capacidade para acomodar 300 pessoas. Sua presença no mercado chinês foi antecedida pela fabricante de compressores Embraco, uma das pioneiras, que atua no país desde 1995. Coteminas, Itaú Corretora e Votorantim também possuem escritório ou unidade fabril no país. "Atendemos mais de dez mil clientes por mês, metade de estrangeiros e metade de chineses", diz Volcato. Além dele, o barman e o chefe de cozinha também são brasileiros. Segundo a embaixada da China no Brasil, cerca de dez mil brasileiros vivem e trabalham no país atualmente.

Os sócios da Fogo Samba também planejam expandir seus negócios no país asiático - uma segunda unidade da churrascaria será inaugurada em breve em Hong Kong. "Estamos apenas esperando um espaço para alugar. Os imóveis na região são muito disputados", disse Volcato. O empreendimento do brasileiro vai na esteira do robusto crescimento chinês. No primeiro trimestre deste ano, a economia do país cresceu 11,9% na comparação com o mesmo período de 2009. No ano passado, o país, um dos poucos com bom desempenho durante a crise financeira global, cresceu 8,7%.

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A unidade da Wizard em Tianjin: rede quer ter dez escolas na China até o fim de 2011
Do Direito ao salão de beleza

A curitibana Patrícia Varela, que mora na China desde 2000, possui uma clínica de estética em Macau desde 2005. A brasileira foi para a China, a princípio, para estudar Direito, pois havia ganhado uma bolsa de estudos. Meses depois, percebeu que seria mais rentável investir em um negócio próprio, o que a fez deixar os estudos de lado.

Acostumada a ajudar a mãe no salão de beleza no Brasil, Patrícia começou a fazer depilação e unhas no estilo brasileiro, o que agradou a chinesas e estrangeiras. “No começo atendia as clientes em suas residências. Com o tempo, consegui abrir minha clínica", diz. "Agora, estudo inaugurar uma filial em Hong Kong”. Hoje, a brasileira tem oito funcionárias - nenhuma brasileira - e oferece, além de depilação e serviços de manicure e pedicure, massagens e estética facial.

A esteticista só usa esmaltes importados do Brasil. Até há pouco tempo, a cera utilizada na depilação também era brasileira, mas Patrícia aprendeu a produzir sua própria cera. Segundo ela, os valores cobrados pelos serviços em sua clínica são relativamente baixos. “A depilação completa custa aproximadamente R$ 135 e a mão e o pé custam R$ 40”, disse. No Brasil, esses valores correspondem aos preços cobrados em um salão de classe média alta.

A clínica de Patrícia recebe aproximadamente 600 clientes por mês. Junho e julho são os meses mais agitados para a brasileira, pois é verão na China. Além da estética, biquínis e chinelos Havaianas vindos diretamente do Brasil são vendidos na clínica.

Oportunidades além das commodities

O comércio bilateral entre a China e o Brasil tem crescido gradativamente desde 1999. As trocas comerciais, em 2009, totalizaram US$ 36,1 bilhões, dos quais US$ 20,2 bilhões correspondem a exportações brasileiras à China. Nos três primeiros meses deste ano, as exportações brasileiras somaram US$ 4,6 bilhões, o que representa um aumento de 35,9% na comparação com o mesmo período de 2009.

Empreendimentos como os de Iuri Volcato e Patrícia Varela não têm potencial para alterar a balança comercial entre os dois países, mas mostram que há espaço para que os brasileiros exportem mais que apenas produtos básicos (as chamadas "commodities") para os chineses, como soja ou minério de ferro. “Nenhum chinês vai vir para o Brasil atrás de oportunidades. Na China, a oferta já é grande, e cabe aos empresários brasileiros saber vender o que têm de melhor ”, diz Roberto Jaguaribe, subsecretário de assuntos políticos do Itamaraty.

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A unidade da Wizard em Tianjin: rede quer ter dez escolas na China até o fim de 2011
A exportação de serviços também não se limita a pequenos empreendedores. A rede de franquias Wizard Idiomas, que estudava o mercado chinês fazia um ano, inaugurou sua primeira filial no país no último dia 5. A unidade fica na cidade de Tianjin, no nordeste do país.

A rede, que atua nos principais países da América Latina, Estados Unidos, Irlanda e Japão, tem planos de abrir mais nove unidades na China até o fim de 2011. “No começo do ano passado, com a ajuda de um consultor, descobrimos que a China é um país carente em ensino de idiomas e resolvemos investir”, afirmou Carlos Martins, presidente da Wizard.

A escola de idiomas aplicou cerca de R$ 1 milhão para abrir a unidade na China. Desse montante, 80% foram desembolsados pela rede - os outros 20% vieram de um investidor chinês. As outras unidades serão abertas por meio do sistema de franquias. A princípio, as escolas irão se concentrar nas cidades de Pequim, Tianjin e Xangai. Além do inglês, ela vai oferecer o ensino da língua chinesa para estrangeiros que vivem lá.

Segundo Alexandre Teixeira, presidente da Associação brasileira de promoção de exportação e investimentos (Apex), setores como os de franquias, construção civil, design, alimentação e varejo têm grandes chances de disputar o mercado chinês com outros países. “As exportações de produtos manufaturados para China nunca serão superadas, mas o Brasil pode começar a explorar melhor outros setores”.

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