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Um em cada dez funcionários do BuscaPé é acionista da empresa

Para reter talentos, site de comparação de preços oferece participação na companhia, que soma um total de R$ 50 milhões à equipe

Marina Gazzoni, iG São Paulo |

No escritório do BuscaPé ninguém tem cabelos brancos - a média de idade dos funcionários da empresa é de cerca de 30 anos.  Há mesas de pebolim e AeroHockey dentro da sede da empresa. Na porta de entrada, um cartaz divulga um processo de recrutamento. “Jovem, precisamos de você. Aliste-se!” é o slogan da campanha.

O presidente da empresa, Romero Rodrigues, de 33 anos, disse que vê um apagão de talentos na área de internet. Jovens com potencial inovador dificilmente aceitam uma oferta tradicional de emprego, com um salário mensal. Para atrair esses profissionais, o BuscaPé oferece participação acionária. De uma equipe de 650 funcionários, quase 11% são acionistas da companhia, donos de R$ 50 milhões em ações do BuscaPé.

Guilherme Lara Campos/Fotoarena
Romero Rodrigues, fundador e presidente do BuscaPé

Lançado em 1999 por quatro estudantes universitários, o site agrega ofertas de diversos anunciantes e permite ao usuário comparar preços e características do produto. A plataforma recebe em média 60 milhões de visitantes únicos por mês e oferece informações sobre 7 milhões de produtos, ofertados por 60 mil empresas.

Um ano depois de receber o seu terceiro sócio-investidor, o fundo sul-africano Naspers, que comprou 91% das ações da companhia por US$ 342 milhões em setembro de 2009, a captação de recursos não é mais um problema para a companhia. O desafio agora é fortalecer e integrar as novas marcas do grupo.

A empresa de comparação de preços é o principal negócio do grupo, mas não o único. Uma placa no hall do escritório traz o logotipo de outras empresas de internet. Nomes como FControl, CortaContas, e-Bit, Lomadee e Confiômetro representam as novas marcas da holding, seis delas adquiridas e outras quatro lançadas pelo BuscaPé a partir de 2006.

As irmãs mais novas do BuscaPé oferecem serviços como classificados online, marketing e pagamento digital, levantamento de dados de e-commerce, solução para fraudes, entre outros negócios relacionados a vendas online. “Não perdemos o foco. Criamos uma estrutura com empresas que atuam em diferentes momentos do ciclo de compra”, afirma Rodrigues.

Vende-se site

O apetite do BuscaPé por novas empresas despertou o interesse de jovens empreendedores. Em palestras a universidades, o presidente da companhia passou a ouvir com frequência a mesma pergunta: “como criar uma empresa e vender para o BuscaPé alguns meses depois?”.

Para vender para o BuscaPé, o negócio não é tudo. A empresa busca bons projetos na área de e-commerce, mas, acima disso, talentos empreendedores. É por isso que o grupo, em geral, incorpora à equipe os fundadores dos sites que adquiriu. “A tecnologia podemos desenvolver. O grande ativo são as pessoas. Por isso, nós preferimos investir em um time ‘A’ com um projeto ‘B’, do que o contrário”, afirma o presidente.

Assim como faz com os novos projetos no Brasil, o BuscaPé mantém um acompanhamento de tendências e oportunidades de negócios na internet. Por quê? “É uma paranoia para se manter vivo”, explica o presidente. Para ele, mudanças bruscas de paradigma podem acontecer no setor a qualquer momento e nenhum negócio digital é tão sólido que garantiu a liderança nos próximos dez anos. Nem mesmo o Google, líder na área de buscas.

Apesar de sediar gigantes da internet, o mercado americano não é mais a maior referência do BuscaPé para inovações. O grande foco é a China. “O empreendedorismo nos Estados Unidos está muito previsível. Toda nova empresa americana tem como saída estratégica vender o negócio para o Google ou para a Microsoft. Na China, há projetos feitos para serem desenvolvidos”, explica Rodrigues.

No Brasil, a situação não parece ser diferente dos Estados Unidos. Rodrigues diz que recebe e-mails de estudantes com projetos para oferecer ao BuscaPé. Questionado pela reportagem do iG se o BuscaPé não desempenha papel semelhante ao do Google no Brasil na aquisição de empresas emergentes, Rodrigues sorri, mas responde que não. “Bem que eu gostaria”, afirma.

 Mais e-commerce

No Brasil, o BuscaPé ganha musculatura com a expansão do acesso da população à banda larga. A empresa não divulga seu faturamento, mas estima que deve crescer junto com o e-commerce no país, em um ritmo de 40% ao ano, segundo dados do e-Bit, consultoria que pertence ao grupo.

A estimativa do BuscaPé é que 3 milhões de empresas brasileiras têm capacidade de lançar estruturas de e-commerce - e, portanto, de se tornar um potencial cliente. A internet tende a se transformar em mais um canal de vendas para os varejistas. “Todo chaveiro tem um telefone e não fala que atua em televendas. Em breve, eles vão ter um site, mas vai ser tão natural que eles nem vão perceber que fazem e-commerce”, diz Rodrigues.

A experiência de fazer compras em frente ao computador também será mais natural para os consumidores, inclusive os que pertencem à ascendente classe C brasileira. “Uma amiga minha veio me contar que comprou um secador de cabelo no BuscaPé. Eu disse a ela que não vendemos nada, só agrupamos ofertas. Mas ela não lembrava em que site comprou”, afirma Rodrigues.

Se no mercado brasileiro há um potencial grande de expansão, na América Latina, as oportunidades são ainda maiores. Hoje, o BuscaPé está em 28 países, mas com versões mais antigas de duas de suas marcas -o próprio site BuscaPé e o QueBarato!, de classificados online. A meta da companhia é repetir nestes países o desempenho da operação no Brasil.

Geração Y

Assim como o BuscaPé nasceu de uma iniciativa de quatro estudantes há 11 anos, novos gigantes da internet ainda podem surgir da garagem de casa. Com investimento inicial baixo e uma distribuição gratuita na rede, a barreira de entrada de novos empreendedores para projetos digitais é mínima. “Sempre haverá oportunidades para qualquer um”, diz Rodrigues.

Para os novos empreendedores, ele dá duas dicas. A primeira é animar-se com projetos que visam a romper barreiras. “O impossível é o nada. Se alguém diz que não dá para fazer, você está no caminho certo”, afirma.

A segunda dica é uma frase da música “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré: “quem sabe faz a hora não espera acontecer”. Romero lembra que a boa ideia não tem hora para vir e que quanto mais cedo o jovem empresário lançar seu negócio, menos ele tem a perder.

Se a geração Y, formada por jovens nascidos na década de 80, sai na frente da anterior porque está mais familiarizada com a internet, lhe falta paciência para deixar maturar os projetos. “Eles querem montar uma empresa, vender e ganhar dinheiro rápido”, relata Rodrigues.

O presidente do BuscaPé conseguiu esse feito, mas não quer se afastar do negócio, assim como outros dois fundadores da companhia, os engenheiros Rodrigo Borges e Ronaldo Morita, que permanecem como executivos da empresa. “Eu iria enjoar de viajar. E na volta, ia fazer o quê? Montar outra empresa nunca seria tão satisfatório quanto a primeira”, afirma Rodrigues.

O quarto fundador, o administrador de empresas Mario Letelier, fez uma opção diferente. Ele se afastou da gestão em 2006, viajou pelo mundo e, no ano passado, vendeu as ações que tinha da empresa. Nenhum deles revela quanto levou dos US$ 342 milhões pagos pelo fundo Naspers.

A negociação inclui um contrato de permanência dos fundadores por cinco anos na gestão da empresa. Rodrigues, no entanto, relativiza a cláusula. Segundo ele, a continuidade depende do desempenho dos executivos. O desejo do presidente hoje é o de ficar, e deixar a empresa maior.

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