Só para mulheres: butique erótica atrai pela sofisticação

Luciana Keller, da Constantine, aposta num ambiente e atendimento diferenciados para vender produtos eróticos e sensuais

Gustavo Poloni, iG São Paulo | 08/02/2011 05:50 - Atualizada em 10/02/2011 19:13

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Foto: Fabio Guinalz / Fotoarena Ampliar

Luciana Keller, dona da butique erótica Constantine: ambiente e atendimento diferenciados

Quem passa em frente à loja com fachada vermelha numa tranquila rua de Moema, bairro nobre da zona sul de São Paulo, não imagina o que é vendido lá dentro. Os manequins das vitrines remetem a uma loja de lingerie. Quando entra, a cliente encontra pela frente uma arara cheia de calcinhas e sutiãs de diferentes cores e tamanhos. A decoração, inspirada num cabaré dos anos 1930, empresta sofisticação e glamour para o lugar. O primeiro indício de que aquela não é uma loja de lingeries convencional surge numa prateleira cheia de gels, cremes e outros cosméticos eróticos. Se a cliente pergunta por acessórios ela é conduzida para uma sala no fundo da loja. Com as paredes de tecido, o ambiente tem cortinas para dar privacidade às consumidoras. É lá que estão os vibradores, simuladores de sexo oral feminino e filmes eróticos, entre outros brinquedos sexuais. A Constantine, no entanto, não é um sex shop. É uma butique erótica. “É mais sofisticada, discreta e oferece um atendimento diferenciado”, diz Luciana Keller, dona da loja.

A sofisticação da Constantine atrai um público diferente daquele que prefere apimentar a relação com produtos de um sex shop convencional. A cliente fiel são mulheres entre 35 e 45 anos, oriundas da classe A, com curso superior completo no CV, casadas ou num relacionamento estável. O tíquete médio de cada compra gira em torno de R$ 400. Duas vezes por mês, a butique oferece cursos no valor de até R$200 com assuntos que variam entre sexo na terceira idade, pompoarismo e massagem. Além de procurar por acessórios, cosméticos eróticos e aulas, uma parte das clientes vai à loja apenas para conversar. “É comum ouvir histórias de mulheres que nunca tiveram um orgasmo ou que revelam a traição do marido”, afirma Luciana, que é formada em psicologia.

Antes de comprar a Constantine, há três anos, Luciana trabalhava com recursos humanos. Paulistana, começou como estagiária na Philip Morris e subiu na profissão à medida que trocava de emprego. Passou por empresas como Dupont, Linde e Conductor, onde virou gerente da área. Apesar do aparente sucesso na carreira, não estava contente com a vida profissional. Cansada do mundo do RH, queria deixar de ser empregada para virar patroa. Para isso, começou a pesquisar o mercado atrás de opções de franquias. Chegou a pensar em abrir lojas do Boticário e da Kopenhagen. Mas só decidiu o tipo de negócio que gostaria de abrir em 2006, enquanto comprava um presente para dar ao marido no primeiro Dia dos Pais que passaria longe dos filhos.

Inspirada numa reportagem da revista Nova, Luciana montou uma cesta de produtos eróticos para presenteá-lo. Começou a procurar coisas como anéis penianos, algemas, lingeries e gels em sex shops – até que um dia foi parar na Constantine. “Achei a loja linda, uma proposta muito diferentes dos outros”, diz a empresária. “O mercado de produtos eróticos tem muitas lojas não tão atrativas”. Ao sair de lá, decidiu: iria montar um sex shop mais agradável e acolhedor. Passou a acompanhar os classificados do jornal atrás de oportunidades, até o dia em que viu um anúncio de venda de uma butique erótica. “Pensei que era um pulgueiro, mas resolvi ligar mesmo assim”, afirma Luciana. “Mas quando a pessoa atendeu o telefone ela disse ‘Constantine’”. Decidiu na hora que compraria a loja que tanto gostara.

As negociações evoluíram rapidamente. Na hora de assinar o contrato, no entanto, um dos sócios mudou de ideia. Ele achava que a família não deveria se desfazer da loja. A notícia foi um banho de água fria. Luciana decidiu abandonar os planos de abrir o próprio negócio. Um ano depois, recebeu uma ligação: a família decidira vender o negócio. “Pensei durante dois meses na proposta e resolvi aceitar”, afirma Luciana. “Decidi pedir demissão e assumi a loja no dia 01 de fevereiro de 2008”. O início tranquilo deu lugar para um período estressante. A empresária se viu obrigada a trabalhar muito para compensar a falta de experiência e de conhecimento do mercado. Os amigos, festas e viagens deram lugar para longas horas dentro da loja. Deu resultado: a empresária não revela o faturamento da loja, mas em 2010 as vendas aumentaram 28% em relação ao ano anterior. Se Luciana se arrepende da mudança? “De forma nenhuma, realizei um sonho”.

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    • Fonte: Thomson Reuters
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