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Portugal Telecom (PT) convocou assembleia de acionistas para avaliar dia 30 a proposta da Telefónica plea Vivo

A Portugal Telecom (PT) convocou nesta sexta-feira uma assembleia de acionistas para o dia 30 de junho para avaliar a proposta da Telefónica de comprar suas ações da brasileira Vivo e sugere a possibilidade de obter um preço melhor.

A convocação assinala que o objetivo da reunião é "deliberar" sobre a proposta da Telefónica "nos termos e com relação ao preço da atual oferta e também sobre a possibilidade de um aumento da oferta".

A Portugal Telecom anunciou na terça-feira que iria convocar a reunião para que os acionistas - como tinha pedido Telefónica - decidam sobre a oferta de 6,5 bilhões de euros por 30% da Vivo, após ter rejeitado outra, de 5,7 bilhões de euros, sem realizar assembleia.

Em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) de Portugal, PT informou que esse assunto será o único ponto da assembleia. Os diretores da Telefónica asseguraram que não vão aumentar a oferta pela Vivo, que supera o valor que a PT tinha em bolsa antes que sua cotação começasse a disparar após a oferta de 11 de maio.

Alguns acionistas da companhia portuguesa, assim como analistas e meios de imprensa lusos, apontaram nos últimos dias que a PT tentaria tirar mais dinheiro pela participação na companhia brasileira, na qual compartilha com a Telefónica, por meio da joint venture Brasilcel. PT também nomeou uma comissão para "discutir" com a Telefónica o preço oferecido pela Vivo, cuja venda tinha sido rejeitada três semanas antes por considerar que se tratava de seu principal ativo para gerar receita e crescer no futuro.

Governo de Portugal pode vetar negócio

O primeiro-ministro português, José Sócrates, destacou hoje, horas antes da convocação da assembleia, o interesse "estratégico" nacional da Portugal Telecom na Vivo. O governante socialista foi perguntado em um debate parlamentar sobre a possibilidade de o Executivo recorrer aos direitos especiais de veto como acionista da PT diante da venda de Vivo a Telefónica.

"Há o interesse estratégico para o nosso país de ter uma PT forte, porque a empresa é fundamental nos setores de pesquisa e desenvolvimento, inovação e projeto industrial, isso é o que interessa para Portugal", afirmou Sócrates.

Sócrates mencionou a possibilidade de recorrer aos privilégios do Estado como acionista de Portugal Telecom na semana passada durante uma visita ao Brasil e por causa de uma declaração da Telefónica na qual esta não descartava lançar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) hostil para a PT em caso de a empresa não aceitar vender a Vivo.

A oferta da Telefónica pela Vivo prevê compra total e imediata das ações em poder da PT e a possibilidade de uma aquisição em três anos. Telefónica acrescentou a sua oferta o direito de a operadora portuguesa decidir se a empresa espanhola vende à própria PT ou para terceiros e 10 % de capital que mantém no antigo monopólio português das comunicações.

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