Lisboa, 24 jun (EFE).- O presidente da companhia lusa Portugal Telecom (PT), Zeinal Bava, classificou hoje de "traição" a operação da espanhola Telefónica para comprar a operadora brasileira Vivo, controlada conjuntamente pelas duas empresas.

Lisboa, 24 jun (EFE).- O presidente da companhia lusa Portugal Telecom (PT), Zeinal Bava, classificou hoje de "traição" a operação da espanhola Telefónica para comprar a operadora brasileira Vivo, controlada conjuntamente pelas duas empresas. Em uma conversa organizada em Lisboa pelo "Jornal de Negócios", Bava defendeu que "outras alternativas e mecanismos poderiam ter sido procuradas" e lembrou que, em termos de Governo de sociedades, a companhia lusa não recebe "lições de ninguém". Telefónica oferece, desde 2 de junho, 6,5 bilhões de euros para assumir 100% da Brasilcel, a empresa com a qual PT e Telefónica controlam 60% da Vivo, proposta que a empresa portuguesa decidiu levar a seu assembleia geral em 30 de junho. "(Telefónica) Não consultou aos acionistas. Eles não falaram", disse o diretor, quem se referiu à recente operação da empresa espanhola, que, após reduzir de 10% para 2% sua participação na PT, realizou na última semana três contratos de derivativos (equity swaps) sobre ações da companhia lusa por um total de 8% do capital. Segundo Bava, este tipo de instrumento financeiro, que pode servir para manter a exposição da cotação de títulos, apesar de não possuírem, não parece "venda efetiva" e deixou nas mãos do regulador luso a decisão desse aspecto. Pela carta emitida hoje à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) lusa, Telefónica utilizou este tipo de contratos nos dias 17, 18 e 21 de junho, com relação à venda de 15.689.000 títulos (8,70 euros cada um), 17.839.589 (8,839 euros) e 24.676.250 (8,853 euro), respectivamente. Fontes do mercado informaram que com os "equity swaps" a companhia espanhola se beneficiaria em caso de os títulos da PT se valorizarem - embora tenha vendido 8% de sua participação -, já que a oferta pela Vivo inclui uma opção de compra da empresa lusa sobre os títulos da Telefónica. Nos últimos dias foram registrados vários movimentos na capital da operadora lusa e a PT comunicou que o banco suíço UBS e o gerente americano TPG-Axon Capital tinham reforçado sua posição na empresa, 5,84% e 4,24%, respectivamente. Meios de imprensa especializados especulam que as instituições, que juntas já possuem 10,08% da PT, podem ser "aliadas" da Telefónica uma semana antes de os acionistas da PT se pronunciarem sobre a oferta da empresa dirigida por César Alierta. Além disso, a PT informou que o banco francês Société Générale reduziu até 1,96% - tinha 2,01% - sua participação na operadora portuguesa ao vender 408 mil títulos. EFE atc/dm

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