O preço do cigarro subiu 64% de junho de 2005 a junho deste ano

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O preço do cigarro subiu 64% de junho de 2005 a junho deste ano. Quem fuma um maço por dia, poderia economizar cerca de R$ 1,4 mil por ano se largasse o vício e, com esse dinheiro, comprar uma TV de LCD de 22 polegadas ou um netbook, por exemplo. Foram 11 aumentos nesse período, de acordo com o Índice de Custo de Vida (ICV) do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). A alta é mais que o dobro da inflação geral medida pelo ICV nos mesmos cinco anos, que foi de 24,35%. O Brasil está entre os países com o cigarro mais caro do mundo, o 5º de uma lista de 22, segundo estudo feito por José Antônio Schontag, coordenador da FGV Projetos. O levantamento considera a realidade de cada país. Nele calcula-se o impacto do preço na renda média dos moradores locais ao dividir a riqueza produzida pelo País pelo número de habitantes. No Brasil, a compra, por exemplo, de 100 Marlboro, na versão box, por R$ 4,25 cada, em 2009, correspondeu a 2,59% do orçamento anual de uma pessoa que ganhe R$ 1.367,50 por mês (no ano são R$ 16.410). Na Turquia, que tem o cigarro mais caro do mundo, a mesma quantidade correspondeu a 5,68% da renda média. Na sequência estão a Venezuela (4,6%); Inglaterra (3%) e Austrália (2,79%). Na Austrália, um maço por US$ 16 pode parecer mais caro do que o que se paga aqui, mas, se considerarmos a renda de seus habitantes, a diferença é menor. O país onde o cigarro custa menos é o Japão. Lá, representa apenas 0,85% da renda anual. "O Brasil precisa aumentar a arrecadação de impostos. Ao aumentar os preços do item, une a necessidade à uma política para inibir o consumo, ligada à saúde", explica Schontag. O peso dos tributos no preço final do produto é de 81,68%. Os preços são livres (não são controlados pelo governo). O último aumento, de 6%, ocorreu no mês passado. A maior alta mensal, de 16%, foi observada em maio de 2009. Foi quando, além do reajuste para repor custos, houve aumento da alíquota de impostos do produto, que o governo usou para compensar a desoneração sobre carros e eletrodomésticos durante a crise econômica. Cornélia Nogueira Porto, coordenadora do ICV, lembra que quem sofre mais com os aumentos são os paulistanos de baixa renda. Para eles, o peso do cigarro no orçamento mensal é de 2,68%. Para a classe média, corresponde a 2% da renda, o equivalente ao gasto com higiene e beleza (2,23%). A corretora de imóveis Danielle Ballerini, 22 anos, está tentando parar de fumar. "Acho os preços absurdos. Sempre disse que se aumentasse mais R$ 0,50 eu iria parar, mas não foi suficiente para largar." Ela nunca quis calcular o quanto gastou com cigarros em oito anos, desde que começou a fumar. "Já fumei dois maços por dia. Hoje, fumo dois cigarros. Estou pensando na minha saúde."

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