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Peruanos clandestinos e turista russo: viajantes da Interoceânica

Passageiros embarcam na primeira rota de ônibus que percorre a nova rodovia, que passa pelo Acre e atravessa o Peru

Claudia Facchini, iG São Paulo |

No dia 19 de dezembro, partia ao meio-dia da rodoviária do Tietê, em São Paulo, o ônibus da Expresso Ormeño, a primeira companhia a oferecer a rota entre São Paulo e Lima, no Peru, pela nova rodovia Interoceânica. A estrada, que atravessa a fronteira brasileira pelo Acre e chega a até três portos do Peru, é a realização do antigo sonho de promover a ligação entre os oceanos Atlântico e Pacífico.

 

As obras foram iniciadas há cerca de cinco anos, a um custo de R$ 1,5 bilhão aproximadamente.

De São Paulo a Lima, o ônibus da Ormeño vai percorrer 5.800 quilômetros, por cinco dias, passando pelos trechos 1,2 e 3 da Interoceânica, que se estende por 2.600 quilômetros, parte deles por uma região de selva amazônica. De São Paulo, os viajantes vão a Cuiabá, Porto Velho, Rio Branco e Assis, que faz fronteira com a cidade peruana Iñapari. De lá, o ônibus segue para Puerto Maldonado, Cuzco, Abancay, Nazca e Lima.

No guichê da Ormeño, na Tietê, começam a chegar os passageiros que embarcarão na terceira viagem realizada pela companhia de ônibus peruana, às vésperas do Natal. A nova rota foi inaugurada no dia 25 de novembro, com saídas a cada quinze dias. Serão cerca de quatro dias de viagem até Cuzco, uma das principais cidades do Peru, e mais um dia, pelo menos, até Lima.

Viajantes

Os passageiros são quase todos peruanos e muitos reagem com desconfianças a qualquer abordagem. Alguns são clandestinos e trabalham ilegalmente no Brasil. A família de Escudero Morales, de 37 anos, vive em Cuzco, mas ele trabalha em São Paulo em uma confecção de roupas como costureiro. “No Peru, só tem trabalho muito pesado, na construção. Aqui, há mais opções pelo menos. Prefiro trabalhar com costura”, afirma.

Maria Del Carmem, como se apresenta uma peruana de 19 anos, chegou há dois meses em São Paulo acompanhada de uma amiga, de quem se perdeu e não tem mais notícias. Com documentos irregulares e sem condições de sobreviver, a adolescente foi acolhida por uma igreja adventista , na Zona Sul de São Paulo, que entrou em contato com a embaixada peruana e com a instituição de apoio Casa Del Pueblo. Membros da igreja arrecadaram o dinheiro para que Maria Del Carmem pudesse voltar para casa.

O ônibus está bastante ocupado, para a felicidade do representante comercial da companhia rodoviária, Oscar Vásquez-Solis, que ajuda no atendimento aos passageiros - às vezes de forma impaciente. O maior problema é saber o quanto eles vão levar de bagagem, afirma. Alguns não levam todas as suas malas até o guichê da companhia, o que atrapalha a contagem, explica. "Mas o mais importante é que você diga que estamos lotados", diz.

A passagem, só de ida, custa R$ 425 até Lima e R$ 380 até Cuzco. A companhia informa que concede descontos para os bilhetes de ida e volta São Paulo-Lima, que custam R$ 765.

Por esse valor, Claudia Lizávraga, estudante de canto lírico de 22 anos, poderá passar o Natal com a família em Cuzco. Mas, ainda assim, a viagem pesa no bolso. “Você sabe se tem um banheiro que eu não preciso pagar para entrar aqui na rodoviária (do Tietê)?”, pergunta Claudia.

Ela e seus três amigos peruanos, que também embarcaram no ônibus pela Interoceânica, contam que estudam música de graça no conservatório de Tatuí, no interior de São Paulo. Lucia Seijas, de 33 anos, é flautista, Cesar Urbina, de 22 anos, é clarinetista e Fernando Félix, de 22 anos, saxofonista.

A nova rota pela rodovia Interoceânica, diz Lucia, facilitou bastante a viagem. Antes, para ir de São Paulo a Lima, era preciso passar pela Bolívia ou pelo Chile. “Agora, embarcamos no ônibus e vamos direto para o Peru, sem atravessar outras fronteiras”, conta.

Machu Picchu

Em meio aos passageiros que se aglomeram para entrar no ônibus, na plataforma 35, se destaca um turista russo, Mike Kaverin, de 34 anos. Ele e seu amigo holandês, Andrey van de Vall, vão a Cuzco para visitar as ruínas incas de Machu Picchu e se interessaram pela viagem, que passa pela Amazônia. Com a nova rota, não será preciso passar pelo Chile, que exige visto para os russos, ao contrário do Brasil, diz Kaverin. “Mas será que as estradas estão em bom estado?”, pergunta, preocupado, antes de entrar de ônibus. “Boa sorte”, respondo.

 

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