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Segundo presidente da varejista, Enéas Pestana, há caixa para mais compras

Consumo crescerá em regiões beneficiadas pelo petróleo do pré-sal, prevê Pão de Açúcar
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Consumo crescerá em regiões beneficiadas pelo petróleo do pré-sal, prevê Pão de Açúcar
O apetite por aquisições do Grupo Pão de Açúcar não se esgotou. A empresa, controlada pelo empresário Abilio Diniz e a multinacional francesa Casino, protagonizou, em 2009, uma das transações mais audaciosas da história do varejo: meses depois de comprar o Ponto Frio, a empresa fundiu as operações da rede com a arquirrival Casas Bahia, passando a controlar cerca de 30% do varejo de eletroeletrônicos do País.

Segundo estimativas de analistas de investimentos, os três maiores concorrentes no comércio de eletrônicos de consumo, o Magazine Luiza, a Máquina de Vendas e a Lojas Americanas, não chegam a ter 10% de participação de mercado.

Em entrevista ao iG , o presidente do Grupo Pão de Açúcar, Enéas Pestana, afirma que ainda vê espaço para novas aquisições tanto na área de alimentos como na área de eletroeletrônicos. O Pão de Açúcar também está se expandindo em segmentos que são complementares à sua atividade, como o varejo de medicamentos e de combustíveis, o que também coloca esses mercados no radar da companhia.

Dinheiro para novas aquisições não seria um problema. O Grupo Pão de Açúcar ainda mantém um baixo nível de endividamento quando comparado a grandes varejistas fora do País. Isso daria à empresa condições de alavancar recursos caso aparecesse uma oportunidade estratégica de compra sem colocar em risco a sua estrutura de capital. O valor da dívida líquida iguala-se atualmente à geração de caixa do grupo, que foi de R$ 805 milhões no primeiro semestre de 2010 (se considerado o lucro apurado antes das despesas com juros, impostos, depreciação e amortizações - Lajida).

“O endividamento da Nova Globex (empresa resultante da fusão do Ponto Frio com a Casas Bahia) também é baixo e a empresa teria condições de fazer novas aquisições ”, diz Pestana. Desde a fusão com o Ponto Frio, os maiores concorrentes da Casas Bahia partiram para as compras. O Magazine Luiza adquiriu a Lojas Maia e a Insinuante fundiu suas operações com a Ricardo Eletro, criando a Máquina de Vendas. Há dois meses, a Máquina de Vendas agregou uma terceira varejista à holding, a City Lar, de Mato Grosso, e especula-se que estaria prospectando negócios em outras regiões, como o Sul e o Sudeste.

É esperado que esse movimento de consolidação continue no varejo de eletroeletrônicos, o que pode levar a Nova Globex a fazer mais aquisições para se antecipar aos seus concorrentes. O maior obstáculo, porém, é o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O órgão antitruste ainda não julgou a fusão da Casas Bahia com o Ponto Frio e outras aquisições nesse momento podem embaralhar esse processo, afirma uma fonte.

Oportunidades com o pré-sal

Oportunidades no mercado Brasil não faltam. Segundo Pestana, o Grupo Pão de Açúcar está de olho nas regiões que serão beneficiadas pelo pré-sal, como o Baixada Santista. “O consumo tende a crescer muito nessas áreas”, afirma o executivo.

O Nordeste é outro foco da varejista, que quer elevar sua participação de mercado na região. “O mercado nordestino expandiu-se muito nos últimos e é natural que, daqui para frente, esse crescimento já não seja mais tão grande. Mesmo assim, o Nordeste ainda oferece grandes oportunidades”, afirma Pestana. O Sul, ao contrário, é uma região que não está no radar do Grupo Pão de Açúcar neste momento.

Sobre a possível internacionalização, Pestana afirma que o Grupo Pão de Açúcar “está olhando” o cenário em alguns países, como Angola, na África, onde algumas varejistas brasileiras abriram lojas recentemente. “Mas não temos nenhum plano concreto (de investir em outros países). Ainda existe muito espaço para ser ocupado no Brasil”, diz o executivo.

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