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Pão de Açúcar pode perder mais com fim de acerto

Para analistas, sem união com a Casas Bahia, grupo deixa de se reforçar nas classes C e D; ações da CBD lideram perdas na Bovespa

Daniela Barbosa e Patrick Cruz, iG São Paulo |

A união entre o Pão de Açúcar e a Casas Bahia, anunciada em dezembro, pode não sair. Nesta terça-feira, a Companhia Brasileira de Distribuição (CBD), que controla o Pão de Açúcar e a Globex, informou em fato relevante encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que a Casas Bahia “manifestou a intenção de rever a associação”. A nota não traz maiores detalhes sobre os pontos do acordo que os sócios da Casas Bahia querem rever.

Agência Estado
Abílio Diniz, do Pão de Açúcar, e Michael Klein, da Casas Bahia, no dia do anúncio da união entre as empresas: após quatro meses, acordo está ameaçado
Assim como o mercado foi pego de surpresa pelo acordo anunciado em dezembro, também foi surpreendente essa ameaça de que o negócio possa não se concretizar. Por outro lado, segundo Pérsio Nogueira, analista do setor de varejo da Planner Corretora, “desde o anúncio do negócio, sempre ficou muita coisa obscura”.

Se o acerto não vingar, quem deve perder mais é o grupo de Abílio Diniz, de acordo com o analista. “A união daria ao Pão de Açúcar mais acesso aos consumidores das classes C e D, as que mais têm crescido no País”, diz. “A Casas Bahia perde por deixar de ter um sócio desse porte, mas quem mais perde é o Pão de Açúcar”.

A leitura feita pelo analista ajuda a explicar a forte desvalorização das ações da CBD nesta terça-feira. Às 12h57, os papéis estavam em queda de 3,82%, para R$ 59,73. O recuo é o mais acentuado entre todas as ações que compõem o Ibovespa, o principal índice da Bolsa paulista.

Em relatório, a analista Juliana Campos, da Ativa Corretora, reitera essa avaliação. “Uma possível alteração do acordo a favor da família Klein ou o cancelamento da operação seriam negativos para o Pão de Açúcar”, diz. A não-concretização do acerto levaria o preço-alvo das ações do Pão de Açúcar, segundo ela, de R$ 83,45 para R$ 69,19 em dezembro deste ano. “Em face da incerteza, estamos adotando como cenário base a não-efetivação do acordo de associação com a Casas Bahia, reduzindo nossa recomendação de compra para neutra e retirando o papel da carteira Ativa, até que novas informações sejam divulgadas”, afirma o relatório.

De acordo com o fato relevante, “CBD e Globex consideram que o acordo de associação celebrado é válido e perfeitamente eficaz”. As empresas afirmaram que querem “continuar em discussões com vistas a um entendimento de forma a assegurar a implementação da associação”.

Pontos de divergência

Segundo reportagem do jornal “Valor” desta terça-feira, a Casas Bahia quer rever o prazo para que a família Klein, dona da Casas Bahia, possa vender sua participação na empresa a ser criada com a fusão dos ativos.

Ainda de acordo com a reportagem, o valor dos ativos definido na primeira fase de negociação, em 2009, estaria agora subavaliado, na visão dos Klein. Pelo acordo, os ativos da Casas Bahia precisam ser aportados na nova empresa - os Klein receberiam um aluguel mensal por eles. A família estaria descontente com o fato de que, com a subavaliação, o aluguel das lojas ficaria abaixo dos R$ 130 milhões ao ano calculados inicialmente.

A Casas Bahia informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não iria se manifestar. As assessorias jurídicas e financeiras das duas varejistas também informaram que não falariam sobre o caso.

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