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SÃO PAULO - O Grupo Pão de Açúcar pode não atingir o seu guidance de investimentos para 2010. Segundo informou hoje a empresa, as projeções de investimentos de R$ 1,6 bilhão podem não ser alcançadas por dificuldades de cronograma, principalmente no que diz respeito à compra de terrenos.

SÃO PAULO - O Grupo Pão de Açúcar pode não atingir o seu guidance de investimentos para 2010. Segundo informou hoje a empresa, as projeções de investimentos de R$ 1,6 bilhão podem não ser alcançadas por dificuldades de cronograma, principalmente no que diz respeito à compra de terrenos. Os executivos do grupo afirmaram, durante teleconferência, que os investimentos do Pão de Açúcar no primeiro semestre totalizaram R$ 400 milhões, enquanto para o segundo semestre já estão "compromissados" R$ 800 milhões em recursos. "Podemos ter um desempenho um pouco inferior ao que estimamos, devido a dificuldades de cumprir o cronograma. Mas isso não vai ter efeito nos planos de expansão, que incluem a abertura de novas lojas", afirmou o diretor executivo financeiro, José Antônio Filippo. Ele destacou que a empresa mantém o plano da abertura de 101 unidades neste ano. No primeiro semestre, no entanto, só foram abertas 24 novas lojas "O segundo semestre naturalmente já concentra um número maior de lojas, pelo próprio ciclo de nossos negócios", justificou Filippo, quando questionado sobre a possibilidade do cumprimento do plano. Pela manhã, o grupo Pão de Açúcar divulgou hoje uma queda anual de 37,4% no lucro líquido do segundo trimestre, para R$ 82,5 milhões (excluindo-se os resultados do Ponto Frio). No acumulado dos primeiros seis meses do ano a queda foi de 6,3%, para R$ 212,4 milhões. Os resultados, segundo afirmou a empresa, foram afetados pelo efeito da adesão ao programa de parcelamento de impostos no Rio de Janeiro. "No Rio aderimos ao programa, para resolver as pendências com o Estado, que no segundo trimestre gerou um impacto (bruto) de R$ 70 milhões. O impacto contábil ocorrerá somente neste trimestre. Financeiramente, os efeitos serão sentidos ao longo do financiamento", afirmou o executivo. As dívidas, antes da negociação com o governo, somavam mais de R$ 140 milhões. O pagamento, segundo informou a companhia, será realizado integralmente neste ano, sendo a maior parte à vista, no momento da adesão, e o restante em 60 dias. De acordo com o relatório do grupo, desconsiderando os efeitos do programa de impostos, o lucro líquido ajustado do segundo trimestre, seria de R$ 127 milhões, o que ainda representaria uma redução, mas de apenas 3,6%. As despesas operacionais do Pão de Açúcar entre abril e junho totalizaram R$ 1, 038 bilhão, uma alta de 12,6% na comparação anual, crescimento justificado pela companhia pelos custos de abertura de lojas (62 nos últimos 12 meses) e elevação nos gastos com marketing e tecnologia da informação. O Pão de Açúcar registrou ainda um aumento no endividamento líquido no período, que gerou alta de 50,2% no resultado financeiro líquido, totalizando uma despesa de R$ 91,8 milhões. Vale lembrar que os resultados não incluem os valores das Casas Bahia, cuja negociação foi concluída há cerca de um mês. Os dados da nova empresa, fruto da fusão, serão conhecidos pelos investidores apenas no último trimestre do ano. De acordo com Filippo, um guidance de vendas, margens e sinergias será divulgado na segunda quinzena de setembro. "Postergamos o guidance, por uma questão de prudência", afirmou o executivo. O Pão de Açúcar havia programado a divulgação das projeções dos resultados da fusão para o início de agosto. (Vanessa Dezem | Valor)

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