A Oi não se opõe à entrada de capital da Portugal Telecom (PT) na ¿supertele¿ brasileira

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A Oi não se opõe à entrada de capital da Portugal Telecom (PT) na ¿supertele¿ brasileira. ¿Se vier (a PT), é mais um acionista que é bem-vindo. Não desmente a história da empresa brasileira. Essa é uma ideia antiga de que o capital tem pátria¿, disse à Agência Estado Alex Zornig, diretor de Relações com Investidores da Oi. ¿A grande empresa brasileira está sendo construída pelos brasileiros. Pode ter acionistas estrangeiros, desde que não divida o controle¿, afirmou. O executivo fez questão de deixar claro, porém, que desconhece qualquer negociação entre as duas empresas e de frisar que, caso existisse, ocorreria em outro nível: no bloco de controle, o que foge à sua esfera de atuação.

Fontes do mercado, porém, veem a possibilidade de entrada da PT na Oi como prova de que a estratégia da aprovação da compra da Brasil Telecom (BrT) pela Oi para a formação de uma supertele nacional, na verdade, não foi tão bem-sucedida assim. Na visão de alguns especialistas, a operadora brasileira tornou-se extremamente dependente das ¿benesses¿ do governo, tanto por meio de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em condições privilegiadas, quanto de decisões ¿inéditas¿ da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

A mais recente foi a autorização para que a Oi não tenha de devolver o código de longa distância 14, que pertence à Brasil Telecom, condição que havia sido imposta na época da anuência prévia, que deu o sinal verde da agência para a concretização do negócio entre as concessionárias.

Outras medidas adotadas pela agência tiveram também a Oi como a principal beneficiada. A primeira ocorreu em outubro de 2008, quando foi aprovada a reformulação do Plano Geral de Outorgas (PGO), que eliminou as restrições para a fusão entre duas concessionárias de telefonia fixa, passo fundamental para a fusão da Oi e BrT.

Licenças

Outra decisão que provocou forte reação do mercado foi a mudança das regras de concessão de licenças de TV a cabo. Em vez de leilão, o conselho diretor da Anatel alterou o sistema para autorização, mediante o pagamento de R$ 9 mil por licença e acabando com a limitação para a entrada das empresas de telefonia. Uma das maiores beneficiadas seria a Oi, que tem cobertura de rede fixa em 96% do território nacional, e poderia inibir a entrada de outros competidores. Para entrar em vigor, no entanto, é necessária a conclusão do novo planejamento do setor, cuja relatoria está a cargo da conselheira Emília Ribeiro.

Há quem questione também se a aquisição da BrT foi, realmente, um bom negócio. ¿A Oi comprou a BrT sem analisar o negócio. Aí descobriu um rombo de mais de R$ 1 bilhão no passivo da BrT, que está corroendo metade de lucro dela¿, disse um especialista do setor. ¿A entrada da PT seria a injeção de recursos que a Oi busca para pagar as dívidas que a empresa contraiu para a compra da BrT¿, reforçou.

Alex Zornig, porém, rebate as críticas. ¿Não posso antecipar os resultados da empresa, que serão anunciados na semana que vem, mas serão os melhores resultados da nova Oi¿, garantiu. O executivo argumentou que muitas decisões da Anatel são apontadas como inéditas porque, na verdade, ¿nunca tivemos uma supertele assim antes¿.

Em relação ao código 14, Zornig sustenta que se trata de um código regional e que a pressão para a operadora devolver o código é dos concorrentes, que estão de olho nesse mercado, já que muitos clientes da BrT estão acostumados a usar o código 14 para fazer chamadas de longa distância há muito tempo. Ele caracterizou as críticas de ¿chororô de concorrentes¿.

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