A Laguna Linhas Aéreas já divulgou em seu site a relação das 96 cidades que pretende atender em 14 Estados brasileiros. Se concretizada, a oferta de destinos da empresa será a maior do mercado doméstico - em metade desses municípios, a Laguna será a primeira companhia a oferecer voos regulares. Antes de começar a decolar, porém, a empresa terá de vencer a precariedade da infraestrutura aeroportuária regional, que em muitos municípios não atende os pré-requisitos para receber voos regulares.
Número de cidades atendidas diretamente pelas companhias brasileiras
A empresa argumenta que seu diferencial será atender destinos pioneiros a preços próximos aos praticados pelas linhas rodoviárias. A definição das rotas foi feita pelo próprio Daniel de Souza, criador da Laguna, com base em estudos de linhas rodoviárias.
Um exemplo é oferta de voos para Guarapuava. A cidade, localizada no centro-sul paranaense, distante 250 quilômetros de Curitiba, não recebe rotas comerciais atualmente. A Laguna prevê voo direto de São Paulo para o município por um valor “um pouco acima de R$ 100", de acordo com Souza.
A cidade paranaense é apenas um dos 48 destinos em que a Laguna será pioneira. Metade desses municípios precisará de intervenções em seus aeroportos para receber voos comerciais. As necessidades vão de soluções mais simples, como a compra de equipamentos de raio-X para bagagens, a reformas estruturais, como a pavimentação de pistas.
Entre os casos mais críticos estão as cidades de Limeira, Rio Claro e Mogi Mirim, todas no interior de São Paulo, listadas entre os futuros destinos da Laguna. Elas não possuem aeroportos (estrutura preparada para receber não apenas aeronaves, mas também passageiros e cargas), e sim aeródromos (qualquer tipo de estrutura em que se possa operar aviões) com pista de terra.
Aeródromo de Rio Claro (SP), cidade citada pela Laguna como um de seus futuros destinos
Malha criticada
A escolha dos destinos foi vista com ceticismo por seis dos especialistas consultados pelo iG. O consenso entre eles é que todas as rotas economicamente e tecnicamente viáveis já são operadas. “Muitos empresários do setor vieram do transporte rodoviário e conhecem esses destinos muito bem. Seria muito surpreendente que existissem rotas rentáveis que eles não operassem”, disse um analista que acompanha ações de empresas de aviação.
Outro especialista, consultor de companhias do setor, reforçou o argumento. "Cidades que parecem óbvias e ninguém quer não têm voos por pura falta de demanda" disse.
A Laguna, em contrapartida, insiste na viabilidade de seu projeto. “Essas rotas talvez não interessem para as atuais companhias, mas para mim interessam”, afirma Souza. Segundo ele, a empresa tem recebido mensagens de apoio de moradores das cidades que serão atendidas.
“O mercado já nos dá uma resposta. Somos aguardados de forma ansiosa pelos passageiros.” O empresário disse que negocia com prefeituras e autoridades aeroportuárias reformas nos aeródromos com deficiências. Ele se disse, inclusive, disposto a abrir o bolso e investir na infraestrutura dos aeroportos.