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Coronel Eduardo Artur Rodrigues presidia a empresa aérea Master Top Linhas Aérea, que venceu licitação da estatal

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva responsabilizou na quarta-feira o Ministério das Comunicações e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos pela nomeação de um diretor da estatal ligado a uma empresa aérea que presta serviço de mala postal. "Quem pôs que tira", afirmou Lula, sem esconder a irritação, numa entrevista no Itamaraty.

No último domingo, o jornal O Estado de S. Paulo revelou que o coronel Eduardo Artur Rodrigues, que presidia a empresa aérea Master Top Linhas Aéreas (MTA), foi nomeado para a diretoria de Operações dos Correios. A MTA venceu uma licitação no valor de R$ 44,9 milhões para entregar encomendas da estatal. Com o coronel Rodrigues no cargo de diretor da estatal, desde o dia 2 de agosto, a família dele passou a ser contratada e, ao mesmo tempo, contratante dos Correios. Rodrigues deixou uma filha no comando da empresa aérea.

O coronel presidiu em 2008 a companhia de cargas VarigLog, empresa defendida pelo advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula. O presidente Lula, hoje, ressaltou que a nomeação do coronel Artur para a diretoria de Operações da estatal foi decidida pelo Ministério das Comunicações e pelos Correios. O Planalto apenas chancelou a nomeação. "Se tiver problema, o presidente (dos Correios) e o ministério vão ter que tirar", afirmou Lula. "Se tiver problema, será trocado da mesma forma que entrou."

A uma pergunta se seu nome estava sendo usado por Roberto Teixeira para fazer negócios no governo, Lula disse: "Sinceramente, eu não vou responder porque achei que você iria fazer uma pergunta séria". Em e-mail enviado ao jornal, o escritório de Teixeira negou qualquer vínculo com o coronel Artur e que tenha feito indicações para os Correios. O coronel não se pronunciou.

Procurado pela reportagem, o ministro das Comunicações, José Artur Filardi, admitiu que "se ele (o coronel Artur) confirmasse tudo que foi dito sobre ele, eu teria que enviar um pedido de demissão". "Ele disse que nunca foi presidente da MTA, nem trabalhou lá dentro, nem a filha dele", afirmou Filardi. Segundo o ministro, o coronel Artur disse que a filha dela trabalha em uma consultoria que presta serviços para empresas aéreas e que ela já foi casada com o enteado do dono da MTA. "Mas ela já se separou dele há três anos", revelou.

O ministro ponderou, no entanto, que a medida não foi necessária porque "a única coisa que ele (o diretor) confirmou é que a filha dele teria uma procuração para representar a MTA junto à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil)". Na visão do ministro, isso não seria motivo para o coronel Artur deixar o cargo, uma vez que a procuração não dá poderes para a filha dele representar a MTA junto aos Correios.

Procurado pelo jornal O Estado de S.Paulo, o presidente dos Correios, David José de Matos, disse que "as razões que apontam para que o coronel Artur seja afastado são inverídicas". Por essa razão, segundo ele, não há motivos para a demissão do diretor. Segundo Matos, a procuração que a filha do diretor tinha para representar a MTA junto à Anac foi cancelada ontem. O presidente dos Correios disse ainda que a MTA foi desclassificada do processo de licitação da linha SãoPaulo-Brasília-Manaus (ida e volta), no valor de R$ 44,9 milhões, por não ter apresentado a documentação necessária. Segundo Matos, a segunda colocada, a Rio Linhas Aéreas Ltda., é que está operando a linha. Matos disse ainda que a MTA entrou na Justiça contra os Correios por causa dessa licitação.

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