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Varejistas criam nova plataforma multimarcas de comércio eletrônico e já ampliam vendas online em São Paulo

Donos da Insinuante e da Ricardo Eletro anunciam união após fusão da Casas Bahia com o Ponto Frio
Agência Estado
Donos da Insinuante e da Ricardo Eletro anunciam união após fusão da Casas Bahia com o Ponto Frio
Os consumidores de São Paulo já respondem por 20% das vendas da pontocom da rede baiana de eletrodomésticos Insinuante, que sequer possui lojas no Estado. O mesmo acontece com o braço online da varejista mineira Ricardo Eletro, que só possui oito lojas no interior paulista. Cerca de 25% dos pedidos feitos pelo site da rede já são entregues em São Paulo.

As duas empresas, que uniram suas operações e criaram a holding Máquina de Vendas em abril deste ano, se preparam agora para avançar de forma ainda mais agressiva no comércio eletrônico e acirrar a competição com as operações de internet já estabelecidas, mesmo em locais onde não possuem ainda lojas físicas.

A meta da Máquina de Vendas no varejo online é ambiciosa, sobretudo para duas varejistas que mantinham, até recentemente, uma operação tímida na internet, sem grande destaque nas suas vendas totais.

“O objetivo é chegarmos a um faturamento anual de R$ 1 bilhão. Não posso precisar ainda quando, mas almoçamos, jantamos e tomamos café com esse número na cabeça”, afirma Marcelo Ribeiro, executivo que está à frente da nova plataforma de comércio eletrônico da Máquina de Vendas.

O objetivo, acrescenta, foi criar uma holding de comércio eletrônico multimarcas, que poderá agregar outras redes rapidamente. Embora as operações estejam sob o mesmo guarda-chuva, os sites da Insinuante e da Ricardo Eletro continuam existindo separadamente.

Com passagens pelo Submarino e pelo site do Walmart, Ribeiro foi contratado por Ricardo Nunes, dono da Ricardo Eletro, em janeiro de 2009 para criar o novo site da varejista, lançado em novembro do ano passado. Com a criação da Máquinas de Vendas, em abril deste ano, as operações online da Insinuante também foram incorporadas à nova plataforma de internet - o site remodelado da varejista baiana estreou há apenas 15 dias. E o mesmo será feito com a operação de internet da City Lar, rede do Mato Grosso que passou a fazer parte da Máquina de Vendas no fim de junho.

“Agora, em 20 dias, podemos colocar o site de uma marca no ar”, afirma Ribeiro, que não se pronuncia sobre futuros acordos que possam ser feitos pela Máquina de Vendas. “Só os controladores podem responder a essa pergunta”. Há rumores de que a Máquina de Vendas esteja prospectando novas aquisições, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, onde não está presente, e que estaria em negociações avançadas com uma varejista.

Mas, segundo uma fonte próxima à empresa, os acionistas estão mais concentrados atualmente na integração das três operações: Insinuante, Ricardo Eletro e City Lar.

Após a união da Insinuante com a Ricardo Eletro, a Máquina de Vendas passou a ser uma rede com cerca de R$ 5 bilhões de faturamento anual, o que a colocou em segundo lugar no ranking das maiores varejista de aparelhos eletrônicos de consumo do País. Ela só fica atrás hoje da Casa Bahia, que fundiu suas operações com o Ponto Frio, do Grupo Pão de Açúcar. Com a aquisição da City Lar, no fim de junho, a Máquinas de Vendas agregou mais R$ 1,1 bilhão em vendas por ano, passando a controlar mais de 500 lojas espalhadas pelo País.

Segundo estimativas do banco UBS, a Máquina de Vendas detém atulmente 9% do varejo de eletrônicos de consumo, enquanto o Grupo Pão de Açúcar controla 33% desse mercado. O Magazine Luiza e a Lojas Americanas vêm em seguida, com 8% e 6% de participação, respectivamente.  

Mas, na internet, as fronteiras territoriais não existem como no varejo de lojas físicas. Sistemas de busca e de ferramentas comparação de preços permitem atualmente que os consumidores cheguem facilmente até aos varejistas, onde quer que eles estejam.

A rede Magazine Luiza, com sede em Franca, no interior de São Paulo, também já vendia, por meio de sua pontocom, grandes volumes para os consumidores da capital muito antes de abrir lojas na cidade, o que foi feito pela varejista em setembro de 2008. Na época, o Magazine Luiza abriu 50 lojas na capital em um só dia. 

O bom desempenho da Insinuante e da Ricardo Eletro só reforça as expectativas de que a entrada das varejistas em São Paulo é uma questão de tempo.

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