Segundo analistas, plano da companhia de se relançar no mercado de vendas por catálogo é positiva e deve gerar bons resultados

A Hermes, terceira maior empresa de vendas diretas do País, tem planos de mudar sua estratégia de atuação, reduzindo o peso que os utensílios domésticos têm em sua receita e ampliando o foco a um novo segmento, o de cosméticos. Com essa guinada, ela pretende competir mais diretamente com Avon e Natura, as duas líderes nas vendas diretas no Brasil. De acordo com analistas ouvidos pelo iG , a empresa tem a seu favor nessa tática o fato de ser um grupo bem estruturado.

Segundo Marcelo Alves, diretor da DirectBiz, consultoria de vendas diretas, o fato da companhia já ter um canal bem estruturado, com centro de logística próprio, quantidade significativa de revendedoras e  vivência no mercado, vai facilitar. “O caso da Hermes é diferente de uma marca nova que queira estrear no mercado de vendas diretas, como, por exemplo, a Jequiti, marca do grupo Silvio Santos, no mercado há dois anos”, disse.

Centro de distribuição da Hermes. Companhia investiu R$ 200 milhões para ampliação da área
Divulgação
Centro de distribuição da Hermes. Companhia investiu R$ 200 milhões para ampliação da área
A experiência e boa estrutura não reduzem a necessidade de investimentos. A Hermes ainda não sabe exatamente quanto vai gastar, mas mudanças na estrutura do grupo já começaram a ser feitas. “O maior investimento neste caso terá que ser em qualidade. As líderes do setor oferecem produtos muito bons aos consumidores e este é o grande desafio da Hermes agora”, afirmou Ricardo Tanaka, diretor da Loyalty Marketing, consultoria especializada em vendas diretas.

Recentemente, a companhia anunciou um investimento de R$ 200 milhões para ampliar seu centro de distribuição, no Rio de Janeiro. A empresa espera também dobrar o número de funcionários nos próximos dois anos. Hoje, a Hermes emprega cerca de dois mil funcionários diretos. Em 2012, serão quatro mil, segundo Gustavo Bach, diretor de marketing da companhia. 

A Hermes existe desde 1942 e só em 2003 lançou o site de comércio eletrônico Comprafacil.com. Os negócios da companhia renderam um faturamento de R$ 1,1 bilhão em 2009, R$ 445 milhões em vendas diretas. A estimativa é que este ano a receita chegue a R$ 2,1 bilhões, sendo R$ 700 milhões vindos das vendas por catálogo. Em 2011, a companhia espera faturamento acima de R$ 3 bilhões.

Segundo dados recentes divulgados pela Associação Brasileira de Vendas Diretas (Abevd), o mercado de vendas diretas cresceu 21% na comparação com o mesmo período de 2009. De janeiro a junho deste ano, as vendas da indústria somaram R$ 11,8 bilhões.

As vendas por catálogos no Brasil são compostas por empresas de segmentos diversos, sendo 88% delas da categoria de cuidados pessoais, 6% de suplementos nutricionais, 5% de utilidades do lar e 1% de outros serviços. O Brasil é o terceiro maior País em vendas diretas do mundo, atrás somente do Japão e Estados Unidos.

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