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Empresas do setor imobiliário cobiçam negócios no ramo esportivo e apostam em arenas com centros de eventos, hotéis e lojas

A escolha do Brasil para sediar a Copa de 2014 deu a largada para as negociações entre empresas do setor imobiliário e times de futebol para projetos de reforma ou construção de estádios. Os projetos de arenas multiuso, inspirados nos estádios de times europeus, são uma tendência, segundo times, consultores e construtoras ouvidos pelo iG . Esses projetos trazem estruturas adicionais ao campo de futebol para elevar a receita do estádio, como lojas, hotéis, shopping centers e centros de eventos.

A inclusão dessas áreas comerciais nos projetos de estádios são benvindas para complementar o caixa dos clubes, mas não devem ser o principal foco do empreendimento, afirma o consultor Amir Somoggi, diretor da área de esporte da Crowe Horwath RCS. “Estádio não se paga com shopping e eventos. É preciso pensar no futebol como gerador de receita”, ressalta.

O risco de apostar em áreas comerciais dentro do estádio é depender do desempenho do time para ter um público assíduo no local. Para garantir um estádio cheio, os times devem investir em marketing esportivo, afirma Somoggi. “Não há negócio mais lucrativo do que lotar um estádio toda quarta e domingo”, diz. Hoje, a média de público por jogo do Campeonato Brasileiro é de 14,2 mil pessoas, mas muitos dos estádios em reformas terão sua capacidade ampliada para mais de 50 mil torcedores.

Especialização

Somoggi afirma que a tendência é as construtoras buscarem a especialização no segmento esportivo para atender as necessidades dos clubes. Até agora, as empresas do setor estão incorporando esses projetos na sua área imobiliária.

A OAS, empresa que participará da construção do novo estádio do Grêmio, em Porto Alegre, e da Fonte Nova, em Salvador, já estuda criar uma empresa focada na administração de empreendimentos do setor esportivo, afirmou ao iG o diretor da OAS Empreendimentos, Carlos Eduardo Paes Barreto Neto. “Temos interesse em ter receitas geradas em eventos esportivos”, diz o executivo.

Construir ou reformar

Tanto o executivo da OAS quanto o consultor da Crowe afirmam que construir um novo estádio é mais interessante para os times do que reformar um estádio antigo. "Um novo estádio não tem as limitações de uma estrutura antiga. O projeto será mais moderno", afirma Somoggi. "A reforma pode deixar o time sem estádio durante as obras. Mas a decisão é sempre do clube", completa Barreto.

Se optar pela construção, os clubes podem rever a posição dos estádios, como fez o Grêmio. Neste caso, a tendência é de migração das arenas para regiões mais periféricas das cidades, afirma o consultor esportivo. A escolha por bairros com metro quadrado de menor valor deve-se à disponibilidade de terrenos mais baratos do que em regiões centrais e também a facilidades de tráfego.

"Esses projetos têm uma importância urbanísticas porque puxam o desenvolvimento de uma região da cidade", afirma Somoggi. Segundo ele, este é o caso dos projetos do novo estádio do Grêmio, no bairro porto-alegrense de Humaitá, e do Corinthians, no bairro Itaquera, na zona leste de São Paulo.

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