Fundo americano especializado na aquisição de participações em empresas anunciou que terá fatia de 54% da companhia brasileira

O Apax Partners, grupo americano de investimentos, confirmou ontem a compra de 54,25% da brasileira Tivit, empresa de serviços de tecnologia de informação e de processo de negócios. Dependendo da adesão à oferta pública obrigatória de compra de ações, o negócio pode chegar a R$ 1,6 bilhão. "O que provavelmente tornará esta operação a maior de private equity do Brasil", afirmou o presidente da Tivit, o ex-tenista Luiz Mattar.

Trata-se do primeiro investimento dos fundos do Apax no País. A empresa pagará R$ 18,10 em dinheiro por ação da Tivit que está em poder dos controladores, que incluem a Votorantim Novos Negócios e o Pátria Investimentos. "Estamos interessados no Brasil há alguns anos", afirmou Jason Wright, sócio do Apax. "Avaliamos o mercado aqui em diferentes setores, como varejo, telecomunicações, saúde e mídia, procurando oportunidades. Estamos muito otimistas em relação à economia brasileira."

Mattar continuará à frente da empresa, com uma participação de 2,2% e o compromisso de permanecer com o Apax por pelo menos cinco anos. Antes da venda, o executivo tinha 5,7% da companhia. "Os funcionários e clientes receberam bem a operação", disse Mattar.

O valor de R$ 18,10 por ação corresponde a um ágio de 21,39% sobre a média do preço do papel desde a data da abertura de capital da empresa, ajustada pelos dividendos e juros sobre o capital próprio pagos no períodos. Os minoritários receberão o mesmo valor que os controladores, ajustados por um indexador.

"O Apax é obrigado a fazer uma oferta de compra depois de adquirir 54% da Tivit", explicou Mattar. "Fechar o capital não é uma escolha dos acionistas. Não dá para prever, mas acho que a empresa provavelmente continuará com o capital aberto." A Tivit fez sua oferta pública inicial de ações em setembro de 2009.

Oriunda da fusão entre a Optiglobe e a Telefutura, em julho de 2007, a Tivit tem operações em 16 cidades e atende a 300 das 500 maiores empresas brasileiras, segundo a própria companhia. Segundo Wright, o primeiro contato do Apax com a Tivit foi feito no começo de 2009, mas as negociações formais só aconteceram um ano depois, em fevereiro deste ano.

"A Tivit cumpre com todos os nossos critérios de investimento, como ter o tamanho certo, estar num setor em que atuamos e ser líder de mercado", apontou Wright. "Acho que podemos ajudá-los a crescer, trazendo experiências de outras empresas, principalmente da Índia para o Brasil. Além disso, o mercado que a Tivit atende é bastante fragmentado. Ela pode adquirir empresas menores. Estamos constantemente avaliando oportunidades de fusões e aquisições." Na semana passada, a Tivit anunciou a aquisição da Expertise, de São Paulo. O negócio foi fechado por R$ 7,9 milhões.

Impactos da crise

Sobre a crise na Europa e impactos sobre investimentos no Brasil, o sócio do Apax observou que, toda vez que existe uma crise, é preciso ter cuidado. "A situação atual não é diferente, mas é interessante destacar que nosso investimento mais recente foi feito na Sophos, uma empresa de software do Reino Unido", explicou.

Nos últimos 12 meses, além da Sophos, o Apax investiu na Psagot, gestora de fundos israelense; na Marken, companhia de testes clínicos no Reino Unido; e na Bankrate, mercado eletrônico americano de produtos financeiros. Em todos os casos, os fundos do Apax são o único investidor de private equity.

O grupo costuma manter seu investimento por mais de cinco anos. Na compra da Tivit, o Apax foi assessorado pelo Credit Suisse e pelo JP Morgan. Os fundos administrados pelo grupo somam mais de US$ 35 bilhões em todo o mundo, e escritórios em cidades como Londres, Barcelona, Tel Aviv, Xangai, Milão, Munique e Mumbai. Nos últimos 12 meses, o Apax vendeu participações que tinha na Tommy Hilfiger, Bezeg e Promethean World. As informações são do jornal "O Estado de S.Paulo".

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