Estimativa leva em conta venda de ingressos e oferta de serviços aos torcedores; "naming right" deve impulsionar faturamento

A receita dos clubes de futebol brasileiros pode chegar a R$ 520 milhões em 2014. A estimativa é da Crowe Horwath RCS, empresa de auditoria e consultoria, com base nos R$ 250 milhões faturados no ano passado. O cálculo leva em consideração a receita com a venda de ingressos nos dias de jogos, a melhoria do ambiente de negócios no setor proporcionada pela reforma e construção de novos estádios até a Copa de 2014, o que levará a novas ações de serviços para os torcedores.

Amir Somoggi, diretor da área de gestão esportiva da empresa, lembra que os R$ 250 milhões usados como base levam em consideração apenas a venda de ingressos. “Só com bilheteria, esse faturamento deve subir para R$ 430 milhões, mas a tendência é os clubes dependerem não só da venda de ingressos, mas de outros fatores. Os clubes têm que diversificar as fontes de receita”, afirma.

Allianz Arena, em Munique, que tem contrato de 15 anos por US$ 115 milhões
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Allianz Arena, em Munique, que tem contrato de 15 anos por US$ 115 milhões
Esses novos serviços, como locação do estádio para eventos, consumo nos bares, camarotes, lojas e restaurantes podem responder por 30% do faturamento. “Pensar em faturar apenas com a venda de ingressos é muito arcaico em relação ao que é feito no mundo hoje”, defende.

Somoggi afirma, inclusive, que seus cálculos são conservadores. Ele diz ter aplicado nas projeções uma taxa menor de crescimento que os 20% registrados pelos clubes brasileiros de 2003 a 2009, quando o faturamento total saltou de R$ 56 milhões para R$ 250 milhões.

Novos recursos

Um dos fatores que podem gerar novos recursos para os estádios é a introdução dos “naming rights”, traduzido grosso modo como o direito de usar a marca como o nome do estádio. “Essa é uma receita estratégica, extremamente valiosa para quem constrói um estádio novo”, avalia. No Brasil, já houve uma experiência com o Atlético Paranaense, que cedeu o uso de seu nome para a fabricante de celulares Kyocera. O contrato, no entanto, não foi renovado após um período inicial. Outra iniciativa está sendo planejada pelo Corinthians, para a construção da nova arena na Zona Leste de São Paulo.

“O prazo em um contrato de naming rights é longo. O valor pode até ser menor que a receita da venda de patrocínio nas camisas em um ano, por exemplo. Mas é uma receita garantida por um prazo longo, que pode contribuir para a construção de um estádio novo ou para abatimento de dívidas”, afirma Somoggi. “Sem contar que o clube pode securitizar essa receita.”

Estádio do Mets lotado: contrato de US$ 400 milhões com o Citigroup
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Estádio do Mets lotado: contrato de US$ 400 milhões com o Citigroup
O executivo conta que os melhores casos de sucesso em acordos de naming rights estão na Alemanha. “Há vários exemplos bem-sucedidos em estádios menores”, diz. Um dos mais marcantes é o Allianz Arena, em Munique, cujo contrato com a companhia de seguros foi de US$ 115 milhões por um período de 15 anos. Outro exemplo é o contrato do Arsenal com a companhia aérea dos Emirados Árabes para o Emirates Stadium. Esse contrato somou US$ 178 milhões pelo prazo de 15 anos para o naming rights e sete pelo patrocínio oficial ao britânico Arsenal.

Segundo Amir Somoggi, é possível que os clubes menores também acertem contratos de patrocínio com valores mais baixos, de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões anuais, enquanto outros podem render entre R$ 15 milhões e R$ 30 milhões. “Vamos ter contratos com arenas maiores e menores, de Manaus a São Paulo”, diz ele.

De acordo com informações da Crowe Horwath, o mercado de naming rights supera US$ 4 bilhões no mundo, sendo 70% desse total no mercado norte americano. Os maiores contratos nos EUA foram fechados entre o time de beisebol New York Mets com o Citigroup, por 20 anos, no valor de US$ 400 milhões; e o fechado entre o banco Barclays e o time de basquete New Jersey Nets, também por 20 anos e no valor de US$ 400 milhões.

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