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Com 3 mil quartos em construção, hotéis no Rio se preparam para 2016

Meta é chegar a 50 mil leitos até a Olimpíada; obras vão garantir mais 3.018 quartos aos atuais 29 mil disponíveis na cidade

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

Para especialistas do setor, desde os anos 70 não havia tanto investimento na rede hoteleira do Rio de Janeiro como agora. No protocolo da Secretaria Municipal de Urbanismo, cerca de 20 projetos estão em diferentes estágios de licenciamento. Os que já foram aprovados acrescentarão mais 3.018 quartos aos 29 mil já existentes na capital (são 1.700 da rede Windsor e 1.318 da Accor), sem contar antigos hotéis desavativados que serão reabertos nos próximos anos. Pelos compromissos assumidos com o Comitê Olímpico Internacional (COI), a cidade tem que oferecer 50 mil leitos até a Olimpíada de 2016. O setor comemora.

A expansão da rede hoteleira não é só mérito dos investidores. Para fazer bonito diante das lentes internacionais que estarão voltadas para a cidade durante a Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016, o poder público deu aquela força. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social) abriu uma linha de crédito, a ProCopa Turismo, de R$ 1 bilhão (para investimentos em todo o País).

A prefeitura do Rio não ficou atrás. Aprovou na Câmara Municipal, em outubro, o pacote olímpico, com isenções fiscais e incentivos tributários capazes de atrair o menor dos empreendedores. “Foi concedida a isenção de todos os débitos do IPTU acumulados até a compra dos imóveis”, comemora o presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira no Rio de Janeiro (Abih-RJ), Alfredo Lopes. “E desconto de 40% do IPTU até 2019”, ele ressalta.

O pacote olímpico também flexibilizou algumas regras até 2015, e alterou o gabarito de determinadas regiões, permitindo construções de até 15 andares. De acordo com Alfredo Lopes, até a Rio 2016 a cidade contará com mais 10 mil novos quartos, totalizando 39 mil. "Se você calcular uma média de duas camas por quarto, serão mais de 78 mil leitos", avalia.

Três projetos já contam com recursos do BNDES

O BNDES informa que não há um valor determinado pelo ProCopa para cada Estado da federação. Contudo, ressalta que as cidades-sede e demais capitais poderão realizar operações diretamente com o banco em pedidos a partir de R$ 3 milhões. “Para outras cidades, o financiamento será direto apenas em projetos a partir de R$ 10 milhões”. Fora desses patamares, os empreendedores terão que recorrer a um agente financeiro intermediário.

Divulgação/ Abih
Projeção computadorizada do futuro hotel Glória Palace, do empresário Eike Batista; BNDES emprestou R$ 147 milhões
Na capital carioca, três empreendimentos já contam com o financiamento público. O Hotel Glória, do empresário Eike Batista, recebeu R$ 147 milhões para completar os R$ 260 milhões investidos na reforma do prédio, construído em 1922.

“2012 é o prazo limite para que os eventuais interessados apresentem projetos ao BNDES”, informa o banco, em nota. “O programa oferece prazos máximos de amortização inéditos. Poderão chegar a até 12 anos para modernização de unidades existentes e até 18 anos para novas unidades”, acrescenta o informe. “O prazo de financiamento pode ser prorrogado se os empreendimentos obtiverem certificação, por entidade credenciada pelo Inmetro, de eficiência energética e construção sustentável”.

A rede francesa Accor também foi contemplada. Já estão em obras sete novos hotéis na cidade até 2016, resultando em mais 1.318 quartos na capital. Quatro dos novos empreendimentos serão erguidos na Barra da Tijuca, bem próximo aos locais de competição.

Sob a bandeira Novotel, o grupo investe em um prédio com 186 apartamentos, na Avenida Lúcio Costa, e outro, com o mesmo número de quartos, na Avenida Embaixador Abelardo Bueno, bem próximo ao Parque Olímpico. No mesmo local, a rede constrói outro empreendimento, da bandeira Ibis, com 253 quartos; também é projetado um Ibis na Praia do Pepê, com 225. Para finalizar as ações na Barra, será construído um hotel com 136 apartamentos, pela marca Mercure, no mesmo Pepê.

O grupo ampliará a bandeira Ibis em pontos da zona sul – área que permanece como a mais cobiçada da cidade, de acordo com a Abih-RJ. São dois investimentos que contam com recursos do BNDES. Para adaptar um prédio com 122 quartos na Rua Ministro Viveiros de Castro, em Copacabana, a rede recebeu R$ 20,3 milhões. Outro imóvel, com 210 quartos, ocupará o número 39 da Rua Paulino Fernandes, Botafogo (R$ 11,6 milhões). O investimento total do grupo é de R$ 172 milhões e quando começarem a operar, devem gerar 490 empregos diretos.

Período de retomada

Os novos investimentos no setor hoteleiro carioca garantiram até mesmo o fim de imbróglios que se arrastavam por mais de uma década. No apagar das luzes de 2010, o empresário Marcelo Limírio Gonçalves Filho (sócio do laboratório Neo Química) ofereceu o lance final no último dos cinco leilões realizados para vender Hotel Nacional, em São Conrado (zona sul), fechado há 15 anos.

Agência O Globo
Hotel Nacional: vendido após ficar fechado por 15 anos
O hotel, que pertencia à Interunion Capitalização e entrou em processo de liquidação extrajudicial, foi arrematado por R$ 85 milhões – no penúltimo leilão, o lance mínimo havia sido de R$ 118,5 milhões.

Quem também já começa a abrir as portas é o ex-Le Méridien – famoso pelas antigas cascatas de fogos no réveillon carioca –, agora de nome e mobiliário novos: Windsor Atlântica Hotel, no Leme. Fechado desde 2007 – após impasse entre a Previ-Rio, então proprietária, e o grupo Iberostar, que iria gerir o funcionamento – foi reaberto no último dia 30 com apenas 120 dos 545 quartos que possui.

O Windsor comprou o hotel em 2009 por um valor estimado de R$ 170 milhões, parcelados. Segundo Paulo Marcos, responsável pelo marketing da rede, “a empresa não divulga o valor de investimentos”. No mercado, contudo, cogita-se que a reforma tenha custado R$ 60 milhões. De acordo com Paulo, “reforma e obras com recursos próprios”.

Até a Copa de 2014, a rede pretende ter concluído a construção de um hotel cinco estrelas na Barra da Tijuca, na Avenida Sernambetiba, que terá 500 quartos, além da expansão do Windsor Barra (quatro estrelas), com 450 quartos. O grupo ainda investe na ampliação do Windsor Flórida, no Flamengo, que ampliará de 312 para 400 quartos. Em Copacabana será erguido um hotel três estrelas, com 140 quartos, totalizando mais de 1.700 apartamentos. Somando aos já existentes, o grupo contará com quatro mil quartos.

A rede Accor afirma, por meio de nota, que “avalia constantemente novos projetos no Brasil”, mas não sinaliza a meta de expansão para o País. Diz apenas que “Até 2015, a empresa que hoje possui 162 hotéis na América Latina, pretende chegar a 300 empreendimentos das marcas Sofitel, Pillman, Novotel, Mercure, Ibis e Formula 1”.

O grupo hoteleiro Brazil Hospitality Group S.A. (BHG), que opera a  na América do Sul, divulgou há cerca de duas semanas a compra do Hotel Intercontinental (418 quartos), na praia de São Conrado, na zona sul do Rio.

O hotel pertencia à Brookfield Incorporações e receberá R$ 25 milhões do grupo para ser a segunda unidade do País a ostentar a bandeira cinco estrelas do Royal Tulip. "A BHG investirá na construção de hotéis “limited service”, lançando quatro mil quartos nos próximos cinco anos em 30 cidades. O Rio de Janeiro será, sem dúvida, um de nossos pontos mais fortes", informa a assessoria de imprensa do grupo.

A BHG também fechou a compra do prédio onde atualmente funciona o hotel Sofitel do Rio de Janeiro, na Avenida Atlântica, em Copacabana. Operado pela Accor, o edifício pertencia à Veplan. O grupo ainda não divulgou qual bandeira irá operar o hotel. Além do Golden Tulip, a empresa controla os hotéis Tulip Inn e Txai. "Em 2011, pretendemos acrescentar pelo menos 1.500 quartos, entre administrados e aquisições em todo o país", diz o grupo.

 Hoteis boutique e de charme

O embalo da retomada conta também com investimentos na área dos chamados “hotéis de charme”. Um grupo hoteleiro escocês, cujo nome não foi divulgado – nem a Abih diz conhecer –, comprou recentemente dois hotéis no centro do Rio: o Hotel Estadual (40 quartos), na Lapa, e o Hotel Planalto, na Rua dos Andradas.

Reprodução/ Google Earth
Hotel Planalto: comprado recentemente por grupo escocês, terá a fachada preservada
Especializado em hotéis pequenos, mas cheios de charmes, o grupo vai recuperar a fachada do Planalto, apontada como uma das mais bonitas do período do rio antigo. A estimativa é de que abra ainda este ano.

A rede francesa La Suite acaba de adquirir o Hotel Paris, na Praça Tiradentes, também no centro da cidade. Até então um centro de prostituição (funcionou como bordel desde 1945) e de festas moderninhas, será transformado em hotel boutique, segundo funcionários da corretora Sérgio Castro (que também foi responsável pela venda do Hotel Planalto para o grupo escocês).

Para se ter uma ideia da mudança pela qual passará o prédio de 5 andares e 36 quartos, de estilo neo-clássico, estima-se que as atuais tarifas de R$ 15 por 30 minutos em um dos quartos do hotel Paris, salte para R$ 1 mil a diária para os hóspedes de luxo.

A inauguração está prevista para 2012. De acordo com a ONG Davida, que realizou projetos no hotel (como a instalação da grife Daspu, de prostitutas), o négócio foi fechado por R$ 1,4 milhão.

Na Rua do Richuelo, região próxima a Lapa, um outro Imóvel com 130 quartos será retrofitado pelo Grupo Performance para ser convertido em hotel.

Luxo alternativo

Não é só a rede hoteleira do Rio que cresce a todo vapor. Os chamados hostels (também conhecidos como albergues) investem no público mais sofisticado, certos de que clientes não falta. Em dezembro entrou em operação o Z.Bra, na Avenida General San Martín, no Leblon. O bairro também conta com o  Lemon Spirit, na Cupertino Durão, e o Spot, na Dias Ferreira.

As acomodações possuem quartos privativos e confortáveis e contam com TVs de tela de LCD, frigobar e até colchões com espessura encontrada em hotel cinco-estrelas. Em algumas unidades a tarifa chega a custar R$ 270 a diária. Ar-condicionado é item obrigatório. Alguns ainda oferecem bicicletas para locação, internet Wi-fi gratuita e até lençóis com fios de algodão egípcio.

 

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