As três maiores construtoras do País já destinam cerca de 50% de seus empreendimentos a essa fatia da população

Há dez anos, 90% dos empreendimentos imobiliários lançados pelas principais construtoras do País eram destinados às classes A e B. Atualmente, de olho na meteórica ascensão da classe C brasileira, muitas empresas do ramo estão mudando o foco e lançando mais empreendimentos para a chamada nova classe média do que antes.

Fila em feirão da Caixa realizado neste mês em Belo Horizonte: classe C já domina foco dos lançamentos das principais construtoras do País
Agência Estado
Fila em feirão da Caixa realizado neste mês em Belo Horizonte: classe C já domina foco dos lançamentos das principais construtoras do País
Segundo Renato Barbosa, sócio-diretor da Toledo & Associados, empresa especializada em consultoria e planejamento estratégico de marketing, as três maiores construtoras do País já destinam cerca de 50% de seus empreendimentos à classe C. “Esse público está à procura de segurança, lazer e tranquilidade. Por isso, está disposto a pagar pelo conforto e as empresas estão aproveitando essa oportunidade”, afirma.

O programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, lançado em março do ano passado pelo governo federal, foi uma das razões para esse impulso. A iniciativa subsidia financiamentos de imóveis de até R$ 130 mil para famílias com renda de no máximo cinco salários mínimos. “Sem dúvida, o programa foi muito importante para o crescimento do setor, mas não foi único. O aumento da oferta de empregos e dos salários também movimentaram o setor”, afirma Celso Petrucci, economista-chefe do sindicato da habitação de São Paulo.

Lazer na medida

Os empreendimentos lançados para esse segmento, que desde o ano passado vem aquecendo o mercado e despertando a atenção de empresas de diversos setores, são apartamentos de dois a três dormitórios, com no máximo 65 metros quadrados e valores entre R$ 80 mil e R$ 180 mil. “Normalmente, oferecem lazer na medida e cinco ou mais torres em um mesmo condomínio”, diz Barbosa.

A Tecnisa, construtora e incorporadora que atua há mais de 30 anos no setor, lançou no começo deste ano seu primeiro projeto para o segmento econômico. Batizado de Tecnisa Flex, o condomínio, com 600 unidades na região de Carapicuíba na Grande São Paulo, foi todo vendido em menos de 60 dias. “Demoramos a atuar nesse segmento, mas, só com os lançamentos deste ano, metade dos nossos projetos já é destinada à classe C”, afirmou Newman Brito, diretor-executivo da companhia.

Segundo ele, é impossível mensurar o número de unidades lançadas para o segmento econômico de dez anos atrás, mas a quantia era irrisória. Desde 2009, a companhia percebeu que imóveis para a classe C eram um modelo de negócio expressivo, por isso decidiu apostar. “Até 2012, metade da nossa receita virá desse segmento”, disse.

De acordo com dados divulgados pela Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), 57% dos empreendimentos lançados em São Paulo e Grande São Paulo, em 2009, eram de dois dormitórios. No ano anterior, apenas 18% dos lançamentos tinham dois quartos. Houve queda de 44,6% na construção de imóveis com quatro dormitórios na comparação com 2008.

Pioneirismo

A Rossi há mais de 15 anos destina parte dos seus lançamentos à classe C. Uma das pioneiras nesse segmento no Brasil, a construtora lançou, na década de 90, o Plano 100 e o projeto Vida Nova. Na época, a companhia percebeu a carência de financiamentos imobiliários e resolveu apostar no autofinanciamento de imóveis de baixo custo. Com os programas, a construtora conseguiu expandir sua atuação nacional.

Agora, a Rossi está disposta a investir ainda mais no segmento econômico e pretende, em 2010, destinar 55% de seus lançamentos a esse público. “Desde abril de 2009, percebemos um novo impulso dessa classe e decidimos focar nossas atenções a ela”, disse Rodrigo Martins, diretor do segmento econômico da companhia. Presente em quase todos os Estados, os principais empreendimentos de baixo custo da construtora estão localizados em Manaus e Fortaleza.

Na mesma proporção que cresce o número de empreendimentos, cresce também a distância deles dos centros urbanos. “Regiões centrais costumam ser mais caras e hoje não há oferta de terrenos para a construção de grandes condomínios. Por isso, a maioria deles está em bairros afastados ou fora das regiões metropolitanas”, afirmou Barbosa. Em 2009, 31,5 mil unidades foram lançadas na região Metropolitana de São Paulo e 53,4 mil na Grande São Paulo.

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