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Casa da Moeda exportará dinheiro em 2010

Instituição investiu R$ 280 milhões para aumentar a capacidade de produção; agentes buscam clientes na América Latina

Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro |

Ao lado da soja, do suco de laranja e do minério de ferro, um novo produto deve entrar na pauta de exportações brasileira este ano: dinheiro. Com uma equipe na rua, visitando compradores em toda a América Latina, a Casa da Moeda pretende começar exportar dinheiro já em 2010.

“Temos agentes percorrendo a América Latina para vender nossos produtos”, afirma o presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci. “Todos os países do continente têm espaço para adquirir nossas cédulas ou os documentos de segurança que produzimos.” Contratos com outros países devem ser assinados assim que as novas linhas de produção de cédulas entrarem em operação, neste ano.

 

Arte iG
Clique e veja passo a passo como o dinheiro é fabricado na Casa da Moeda

Para que essas novas linhas comecem a operar, a Casa da Moeda investiu cerca de R$ 280 milhões na aquisição de máquinas que estão sendo instaladas nas fábricas de cédulas e moedas. A capacidade de produção vai aumentar de 2 bilhões para 2,8 bilhões de cédulas por ano. No caso das moedas, a produção deve dobrar, para 4 bilhões de unidades. “Fizemos um plano para atender a demanda até 2018, além de nos voltarmos à exportação”, diz Denucci.

Foi a estabilidade econômica que abriu mercados para a Casa da Moeda. Sem inflação, nem necessidade de emitir dinheiro como no passado, a empresa pública aumentou a venda de documentos de segurança, como passaportes, carteiras de trabalho e selos fiscais no País. Lucrou com a diversificação e agora investe o capital ganho em modernização e aumento de capacidade produtiva.

De 2007 a 2009, o faturamento da Casa da Moeda triplicou, indo de R$ 500 milhões para R$ 1,5 bilhão. O lucro líquido do ano passado foi de R$ 330 milhões.

Para a Casa da Moeda, essa guinada rumo às exportações é uma espécie de volta às origens. Criada em 1694, a instituição nasceu com a missão de organizar o caos monetário que a abundância de ouro causou no Brasil Colônia. Era mais fácil e seguro para Portugal vender moedas do que minério cru. Porém, os governantes portugueses enviavam riquezas para a Europa, sem nenhum ganho para os brasileiros. Três séculos depois, a empresa pública com status de companhia privada novamente vai mandar seus produtos para o exterior. Só que, agora, quer lucrar.

Renato Velasco
Impressora nova importada da Alemanha
As duas novas linhas de produção de cédulas da Casa da Moeda entram em operação neste ano, ao lado das unidades que já existem. A previsão é que comecem a operar em abril, produzindo cédulas de cinquenta e cem reais da nova família do Real – com tamanhos e cores diferentes. Em setembro, começam a ser feitas as notas de dez e vinte reais com formato novo.

“No passado, o motivo da troca da moeda e do formato da cédula era por causa da inflação galopante. Agora estamos lançando a nova família, justamente por ser o Real uma moeda mais forte, que precisa de mais segurança.”, diz Denucci, lembrando que a cara das notas já tem quinze anos. Quanto mais tempo no mercado, mais vulneráveis a falsificadores ficam as notas, segundo ele.

A Casa da Moeda já produziu 16,6 bilhões de cédulas e 20,5 bilhões de moedas desde a estreia do Real, em 1994. De acordo com o Banco Central, há em circulação hoje R$ 122 bilhões, sendo que poucas notas são de plástico. Foram retiradas do mercado cerca de 253 milhões de cédulas desse tipo porque, de acordo com o diretor de Produção da Casa da Moeda, Cláudio Lagoeiro, as notas não tiveram boa aceitação, principalmente por comerciantes. Apesar de a nota feita com polímeros ser mais difícil de rasgar, quando rasga, diz ele, não tem jeito de recuperar. Outro inconveniente do dinheiro de plástico é o custo maior de impressão.

Renato Velasco
Fachada da Casa da Moeda
As máquinas novas vão produzir notas e moedas para o País, enquanto as linhas antigas serão voltadas para exportação. Denucci diz que as máquinas atuais da Casa da Moeda não oferecem segurança para produzir dólares ou euros, já que são moedas mais valiosas e exigem mais segurança.

Para as moedas menos valorizadas, no entanto, a tecnologia ainda funciona. “Nossos antigos equipamentos continuam produzindo cédulas de qualidade, que podem ser vendidas para outros países”, afirma. Os alvos são países latino-americanos e africanos. 

 


 

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