A proposta de união entre Carrefour e Pão de Açúcar - em operação que, aprovada, criará o terceiro maior grupo de varejo no ramo de alimentos no mundo, com faturamento de 30 bilhões de euros – deve gerar uma verdadeira batalha judicial entre o Casino e Abilio Diniz, que preside o conselho de administração do Grupo Pão de Açúcar (GPA).
Mas, em que se pese a alegação do controlador francês da GPA de que as negociações com seu arquirrival Carrefour contrariam o acordo de acionistas, a aposta no mercado é que o BTG Pactual e, sobretudo, o BNDES, não entrariam em um negócio desse porte caso não estivessem seguros de que há uma chance efetiva de concretização da proposta. Em outras palavras, especialistas em direito empresarial e societário consultados pelo iG acreditam que exista uma brecha no acordo de acionistas firmado em 2006 por Abilio Diniz e o grupo Casino.
Brecha no contrato
De acordo com um advogado que teve acesso ao documento e que prefere não se identificar, o acordo de acionistas é dúbio em alguns pontos. “Não há uma vedação expressa a determinados tipos de operações e, na minha interpretação, existe uma brecha legal que permitiria a concretização do negócio com o Carrefour”, afirma. O advogado ressalta ainda que, no fato relevante divulgado pela GPA, não aparece em nenhum momento a expressão “fusão” ou “incorporação”. “O que vemos no documento é a expressão “incorporação de ações”, que é um instituto jurídico completamente diferente de uma fusão”, diz.
Em relatório divulgado na noite desta terça-feira, a corretora Fator vai além e aponta trechos do acordo de acionstas entre Pão de Açúcar e Casino que poderiam validar a operação com o Carrefour. "Entendemos que merecem atenção especial os Capítulos II e V, respectivamente em suas clásulas 2.2 e 5.1, que se referem ao objeto do acordo e seus princípios básicos e às restrições à transferência de ações e direito de preferência em tal situação ", diz o relatório. Segundo análise jurídica feita pela corretora, "somente uma eventual venda de ações por parte de Abílio Diniz e familiares constituiria-se objetivamente em descumprimento à cláusula 5.1, pois nesse caso haveria direito de preferência da parte contrária na aquisição das ações". "E isso não ocorreu", diz a corretora.
Apesar disso, advogados consultados pelo iG ponderam que o Casino também conta com um respaldo jurídico consistente, que lhe garantiu a permissão da justiça francesa para buscar e apreender documentos do Carrefour que tratavam da negociação com Abilio Diniz, o que reforça o início de uma verdadeira batalha jurídica.
Sócia do escritório Siqueira Castro Advogados, Maria Cibele dos Santos ressalta que, embora não tenha conhecimento da íntegra do contrato firmado entre o Pão de Açúcar e o Casino, muito provavelmente deve haver uma cláusula que garanta ao grupo francês a possibilidade de travar propostas de venda da empresa e fusão com outros grupos que não contem com sua aprovação. “É possível, por exemplo, que o Casino tente uma antecipação de tutela para garantir seu direito de compra das ações de Abilio Diniz, opção que só estava prevista para 2012”, diz Maria Cibele. Dependendo das cláusulas do contrato, o Pão de Açúcar pode ainda receber multas por descumprir o acordo com o Casino, acrescenta.
Professor de direito societário do Ibmec/RJ, Leonardo Pessoa observa que os dois lados têm bons argumentos para garantir seus interesses. “Nenhum investidor aporta dinheiro em uma empresa esperando que, pouco tempo depois, essa mesma companhia faça uma proposta para se unir ao seu maior rival. A Casino tem suas razões em contestar o negócio. Mas, resta saber qual será a interpretação jurídica dessa operação”.
O desentendimento entre Casino e Abilio Diniz vem se acentuando desde que surgiram as primeiras notícias de que o empresário procurou o Carrefour para discutir uma possível fusão. Além de apreensão de documentos de seu principal concorrente na França, o Casino também aumentou a participação no Pão de Açúcar e entrou com um pedido de arbitragem internacional contra Diniz no mês passado, alegando que as negociações com o Carrefour contrariavam o acordo de acionistas que ambos possuem.
Advogado sênior do escritório Peixoto & Cury, Renato Valença acredita que as partes envolvidas na negociação certamente avaliaram a possibilidade jurídica de concretização da união entre as empresas, incluindo os possíveis obstáculos contratuais. “Embora esteja se falando em fusão, não foram divulgados os detalhes da operação, o que nos leva a crer que exista uma chance real de efetivação da transação com o Carrefour”, diz.
Na opinião de Pessoa, no pior dos cenários, os acionistas da GPA travariam uma batalha judicial que poderia levar meses e até anos.O advogado aposta, entretanto, em alguma espécie de acordo entre as partes. “Considerando o porte dos envolvidos na questão, acredito que não seria vantajoso perder anos brigando na Justiça”, afirma.
Alguém consultou o Zé Povinho para que ele autorizasse a entrada do dinheiro público (BNDES)?
Responder comentário | Denunciar comentárioQdo precisou para injetar dinheiro o Sr.Abilio Diniz procurou o Casino!\nAgora dá uma punhalada pelas costas no Sr. Casino!\nEste cara já deu uma na família qdo dispensou os irmãos!\nEste é o pais dos medíocres e políticos corruptos!\nPor que será que o governo vai participar?\nÉ bom investigar, pois deve ser mais um desses truques para os cofres do PT!!!
Responder comentário | Denunciar comentárioESTRANHO...BNDES NÃO É PARA FINACIAR NOVAS INDUSTRIAS?.. CRESCIMENTO DO PAIZ ...POR ACASO TBM NÃO É DINHEIRO PÚBLICO? A ENTIDADE QUER SER SÓCIA DE SUPERMERCADO COM NOSSO DINHEIRO?...BRINCADEIRA ISSO\nISSO ESTA IGUAL AOS PEDAGIOS...NÓS COSNTRUIMOS AS ESTRADAS E DEPOIS DE PRONTAS DÃO PARA A INICIATIVA PRIVADA...TEM COISA ai...podes crer. QUE VERGONHA.
Responder comentário | Denunciar comentárioComentário Id.iotas, pessoas me.diocres, tem q fazer a fusão mesmo, formar uma empresa forte para poder expandir no exterior, ha esqueci que vcs só gostam de samba pagode e axé, estão satisfeitos com os salários baixos q ganham. vergonha desse povo!
Responder comentário | Denunciar comentárioO que o Abilio Diniz esta fazendo, é coisa de mau caráter; depois de chamar o grupo Cassino para colocar dinheiro na empresa e salvar o Pão de Açúcar, justamente quando o grupo está prestes a assumir o controle acionário, ele procura o inimigo do grupo Cassino para fazer acordo.
Responder comentário | Denunciar comentárioComplicada esta situação !!!\nA avaliação objetiva deste caso nos leva a seguinte conclusão: no frigir dos ovos as informações levam a crer que o Sr Abilio Diniz está faltando com a ética empresarial.\n\nOra, ele recebeu investimetnos pesados do parceiro frances Casino e o obvio seria respeitar isso a todo custo sob pena de ter a sua credibilidade abalada.\n\nAgindo dessa forma, pode-se concluir que o Sr Abilio Diniz armou uma arapuca para o Casino,?\n\nO Sr Abilio Diniz sempre foi muito agressivo na guerra contra a concorrência e nunca foi de admitir que alguem ligado a si passasse para o outro lado, isto é evidente.\n\nSendo assim, como, de repente, ele próprio vem com essa agora e sem aviso prévio, simplesmente quer passar para o outro lado ?!?!?!?!?\n\nE o Cade, será que engole mais essa ?\n\nBem, pessoal do Casino, se o Abilio Conseguir este feito, não se preocupem, ainda existe muitas pessoas honestas por aqui para dar continuidade aos vossos negócios no Brasil, inclusive eu (sem falsa modéstia).\n\nSucesso a todos.
Responder comentário | Denunciar comentárioO maior problema disso tudo é que eles só pensam nos próprios bolsos e não nos bolsos dos consumidores brasileiros, que ficam reféns desses "mabecos" capitalistas, formando-se, assim, um monopólio que não nos dá opções!!! Uma merda, é preciso pensar e elaborar leis para conter esses abusos.
Responder comentário | Denunciar comentárioCorrigindo. O aporte do BNDES será de: "Conforme já divulgado o aporte dos novos sócios somará R$ 4,6 bilhões (ou cerca de 2 bilhões de euros), sendo R$ 3,91 bilhões do BNDES e R$ 690 milhões do BTG."
Responder comentário | Denunciar comentárioEspero sinceramente que o CAD tenha acesso a essa negociação, pois pelo meu pequeno conhecimento monopólio é inconstitucional e sei que estes grandes empresários, acionistas e oportunistas também tem noção disto.\nDeixar o mercado de varejo e preços de todos os produtos de consumo básicos para a vida no país inteiro, nas mãos de menos pessoas ainda e sendo até grupos estrangeiros isso é valido para o desenvolvimento sustentável do país? Pensem nisso.
Responder comentário | Denunciar comentáriovergonhosa essa transaçao do sr abilio diniz alem de ser ilegal por ser feita de baixo dos panos usaram dinheiro publico por meio do bnds para uma empresa francesa vergonhaaaaaaaaa com certeza tem o apoio do pt que e' amigo numero 1 dos banqueiros empresarios e corruptos nao comprarei mais nada nessa empresa
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